61% das adolescentes grávidas interrompem os estudos, mostra pesquisa

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A gravidez na adolescência continua afetando a trajetória escolar e profissional de milhares de brasileiras. Levantamento divulgado nesta terça-feira (4/8) revela que 61% das meninas que engravidaram na adolescência abandonaram os estudos, enquanto 83% ficaram desempregadas ou sem oportunidades de trabalho. Além disso, 73% afirmaram ter sofrido algum tipo de discriminação em razão da gravidez precoce.

Os dados fazem parte do estudo Marcas do Tempo: Gravidez na Infância ou Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil, elaborado pela organização Plan Brasil a partir de entrevistas com 1,5 mil mulheres de 19 a 29 anos, de todas as regiões do país.

A pesquisa comparou a realidade de mulheres que vivenciaram uma gravidez na infância ou adolescência com a daquelas que não passaram por essa experiência, evidenciando diferenças significativas nos indicadores de educação, trabalho e inclusão social.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a gravidez na infância e na adolescência é aquela que ocorre entre os 10 e os 19 anos. Segundo a Plan Brasil, esse cenário reflete desigualdades estruturais relacionadas a gênero, raça, etnia, classe social e território.

O levantamento também mostra que a maternidade precoce está associada ao casamento ou à união estável em idade precoce. Entre as entrevistadas, 59% passaram a viver com um parceiro após a primeira gestação. Nos casos de gravidez na adolescência, a probabilidade de casamento antes dos 16 anos é 19% maior.

Dados do estudo Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2026, da Fundação Abrinq, reforçam a dimensão do problema. Em 2025, mais de 273 mil crianças nasceram de mães com idade entre 10 e 19 anos. Desse total, mais de 12 mil nasceram de meninas entre 10 e 14 anos.

A legislação brasileira considera estupro de vulnerável qualquer ato sexual envolvendo menores de 14 anos. Nesses casos, a gravidez dá direito ao aborto previsto em lei. Apesar disso, o estudo da Plan Brasil aponta que apenas metade das meninas que engravidaram antes dos 14 anos teve acesso à possibilidade de interromper a gestação legalmente.