Traumas da adolescência, podem causar estresse e danos no cérebro para o resto da vida

Foto: Malte Mueller/Reprodução

O estresse é uma reação natural do organismo quando vivenciamos situações de perigo ou ameaça. O problema é quando ele se torna um estado constante. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), mostraram através de uma análise que o estresse na adolescência não é meramente uma fase passageira, mas pode deixar marcas no cérebro que impactam a vida adulta.

Segundo a primeira autora do estudo, a doutora Thamyris Santos Silva, quando o estresse se agrava, pode ocorrer um desequilíbrio na homeostase do organismo, afetando o equilíbrio interno entre mente e corpo. “Se não for controlado, esse desequilíbrio pode resultar em consequências graves para o cérebro“, afirma.

No estudo, os pesquisadores expuseram ratos adolescentes a situações estressantes. Eles observaram que essa exposição resultou em um desequilíbrio na comunicação neuronal: “No estudo, o estresse na adolescência afetou o funcionamento de uma região cerebral conhecida como córtex pré-frontal que regular as emoções“.

A medica explica que a falta de genes que produzem energia para as células pode interferir na habilidade dos ratos de se comportarem de forma saudável. “Já sabemos que essas mudanças cerebrais observadas nos ratos podem refletir padrões de comportamento semelhantes em humanos. E de fato, os animais que passaram por estresse na adolescência ficaram mais ansiosos, menos sociáveis e com dificuldades de aprender na vida adulta”, afirma.

O estudo agora busca compreender como essas mudanças podem ser empregadas para prever a responsividade de um indivíduo ao estresse e como elas podem favorecer o surgimento de transtornos mentais, tais como depressão e ansiedade. Eles também estão explorando métodos para “reverter” essas alterações genéticas, o que pode abrir caminho para novos tratamentos no futuro.

Com informações do site MSN