Em dois anos, grupo de auxílio para vencer o vício em jogos quase dobra número de núcleos

Foto: Gustavo Azeredo

O grupo, que viveu o auge do jogo do bicho e das loterias, nunca viu suas reuniões tão cheias quanto no ano de 2025. O número de núcleos com encontros presenciais dobrou desde 2023 — havia 28 unidades e surgiram mais 23 —, como resposta à popularização das bets e à velocidade da adicção a jogos, chamada de ludopatia. A denominação é, inclusive, é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo Machado, no Hospital das Clínicas área que trata da psicologia, no Pró-Amiti houve um aumento de quatro vezes na procura de atendimento por viciados em bets, nos últimos dois anos. O perfil dos atendidos, que antes era de homens maduros, vem mudando: entram cada vez mais mulheres e jovens. Segundo especialistas, como a maturação cerebral ocorre entre 21 e 25 anos — e a área frontal, responsável pelo freio e pelo juízo crítico, é a última a se desenvolver —, a exposição ao jogo na infância e na adolescência é especialmente perigosa.

O aumento do número de atendimentos se repete no Programa de Estudos e Assistência ao Uso Indevido de Drogas (Projad) do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Ipub). No serviço de referência carioca, a demanda cresceu e abrange de problemas familiares a insegurança alimentar, por falta de dinheiro e vontade de comer.

— Recebemos pacientes encaminhados por outros serviços, como as Clínicas da Família e os Caps (Centros de Atenção Psicossocial), ou que vêm espontaneamente pedir ajuda. Ouvimos relatos de gente com dívidas enormes, como uma professora primária que deve R$ 300 mil, além de quadros depressivos, chegando à internação — conta o vice-diretor do Ipub, Marcelo Santos Cruz.

Uma das demandas de quem está na linha de frente é que haja um novo levantamento sobre as dependências no país — o último estudo epidemiológico foi feito em 2007, com visitas domiciliares, já que muitas vezes as pessoas não buscam ajuda ambulatorial.

Onde obter ajuda?

É possível buscar ajuda pelas vias de atendimento primário do Sistema Único de Saúde (SUS), como postos e clínicas médicas. Quando esses ambientes não conseguem dar conta da demanda, o paciente é encaminhado aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

  • O que os Caps oferecem: atendimento com psiquiatra, enfermeiro, assistente social, psicólogo, agente territorial, entre outros. Os encontros são individuais, em grupo, com familiares, visitas domiciliares e oficinas terapêuticas.

Com informações do site Extra