Advogada de fundadora de ‘culto do orgasmo’ acusada de abusos diz que vítimas ‘se divertiram muito’

As fundadoras de uma empresa de bem-estar que promovia “meditação orgástica” oferecia aos membros “ioga com um toque diferente” supostamente em um ambiente consensual, mas que são acusadas de forçar funcionários a fazer sexo com milionários, começaram a ser julgadas na tarde de terça-feira (6/5), em tirbunal de Nova York (EUA). Nas considerações iniciais, uma advogada de Nicole Daedone, cofundadora e ex-diretora executiva da OneTaste (julgada juntamente com Rachel Cherwitz, ex-chefe de vendas da empresa), voltou-se para as vítimas, afirmando que elas “se divertiram muito”.

“Na época, eles estavam se divertindo muito. Pessoas adultas tomavam decisões adultas que não queriam aceitar”, afirmou Jennifer Bonjean. “Agora eles são casados, têm filhos e não querem que seus vizinhos saibam o que faziam aos 20 anos”, acrescentou a defensora, de acordo com o “NY Post”.

Segundo os promotores do Distrito Leste de Nova York, as líderes do “culto do orgasmo” recrutavam pessoas vulneráveis, sobreviventes de traumas sexuais, para trabalhar ou participar das atividades da empresa. Ao controlar a vida de seus funcionários, os líderes da OneTaste os empurravam para dívidas, retinham salários e os coagiam sexualmente, afirmaram.

O julgamento acontece quase dois anos depois de Nicole e Rachel serem acusadas de aliciar membros para fazer sexo com investidores e clientes num esquema flagrante que durou 14 anos até ser encerrado em 2018.

“Eles trabalhavam porque lhes ensinaram que o caminho para a iluminação era obedecer às exigências dos réus”, disse o procurador-assistente dos EUA, Sean Fern, ao tribunal, observando que muitos trabalhavam sete dias por semana. “Eles trabalhavam porque lhes diziam que fazer coisas que consideravam sexualmente repugnantes era o caminho para a liberdade. Eles coagiam suas vítimas a prestar serviços sexuais aos clientes da OneTaste. Eles fizeram a OneTaste crescer com trabalho não remunerado ou mal remunerado, grande parte desse trabalho incluindo o atendimento aos investidores da OneTaste”, emendou ele.

Espera-se que o julgamento dure até seis semanas.

Jennifer, que também defende o ex-produtor de filmes Harvey Weinstein em seu novo julgamento por crimes sexuais, é conhecida por adotar uma abordagem agressiva com testemunhas em julgamentos envolvendo má conduta sexual.

Nicole, que fundou a OneTaste em 2004, disse que o fez para abordar a lacuna na satisfação sexual entre homens e mulheres. O nome OneTaste, segundo ela, deriva de uma expressão budista, que disse se traduzir como “assim como o oceano tem um único gosto de sal, também o tem o gosto da libertação”.

O ritual de “meditação orgásmica” envolvia uma mulher, nua da cintura para baixo, deitada sobre almofadas enquanto um homem acariciava seus genitais. Em discurso em 2011, Nicole disse que as pessoas chegavam às aulas da OneTaste com uma “sensação de fome que corroía”.

“Existe um transtorno de déficit de prazer neste país. Mas eu realmente acho que existe uma cura, e essa cura é o orgasmo”, completou ela.

Em uma investigação da “Bloomberg Businessweek” em 2018, ex-integrantes disseram que eram incentivados a usar cartões de crédito para pagar os cursos, e que funcionários eram orientados a trabalhar de graça para demonstrar devoção à OneTaste. Mais tarde naquele ano, a empresa fechou suas unidades nos EUA e parou de oferecer aulas presenciais.

Nicole não está mais envolvida com a empresa, que agora tem um aplicativo gratuito.

(*)com informação do Jornal Extra Page Not Found