Câmara de Fortaleza aprova projeto que inclui profissionais da extinta Fagifor no rol de funcionários da Secretaria Municipal de Saúde

Foto: Reprodução/ CmFor

Nesta quarta-feira (4) profissionais da saúde de Fortaleza— incluindo trabalhadores dos Frotinhas, Gonzaguinhas, Hospital da Mulher, oriundos da extinta Fagifor — paralisaram suas atividades e ocuparam a Câmara Municipal de Fortaleza para cobrar isonomia de direitos e carga horária justa.

Os vereadores da Casa legislativa aprovaram em sua maioria a matéria de autoria do Executivo municipal, encabeçada pelo prefeito Evandro Leitão (PT), que inclui profissionais da extinta Fagifor no rol de funcionários da Secretaria Municipal de Saúde. Trinta e dois vereadores votaram favoravelmente ao projeto e nove vereadores votaram contra a proposta. Deste são: Adriana Gerônimo (Psol), Bella Carmelo (PL), Gabriel Aguiar (Psol), Inspetor Alberto (PL), Jorge Pinheiro (PSDB), Julierme Sena (PL), Marcelo Mendes (PL), Pedro Matos (AVANTE) e PP Cell (PDT).

A gestão municipal propõe uma jornada de 240 horas mensais para os plantonistas, quando o correto segundo a categoria, seria o enquadramento no PCCS com carga horária de 180 horas, correspondente a 10 plantões mensais — assim como já ocorre com os demais servidores. A medida é considerada injusta e desrespeitosa com a realidade dos plantões atualmente realizados pelos profissionais.

O vereador Gabriel Aguiar (PSOL) foi o primeiro a discussar sobre o assunto na tribuna da Câmara nesta quarta-feira (4) e ressaltou sua defesa em prol dos profissionais de saúde. ”Conseguimos até certo ponto, a extinção da Fagifor, e vamos seguir com os servidores lutando dia e noite pelo fim da escala 12×36. O mínimo é a isonomia total, o mínimo é o respeito às reivindicações que os trabalhadores estão colocando. Vamos lutar até a vitória!”, pontou Gabriel.

A vereadora Bella Carmelo (PL), também se dirigiu aos servidores que estavam presentes nas galerias da Câmara e criticou a administração municipal. ”Não é um ajuste administrativo que está em jogo, são vidas. Vidas das pessoas que estão na ponta para cuidar da saúde do nosso povo, não dá pra tratar com pressa, com desrespeito, atropelando. A Secretaria de Saúde marcou uma reunião na segunda-feira com eles, com uma próxima reunião a ser marcada, e na terça-feira eles acordaram com a mensagem já para ser analisada aqui. Isso é o diálogo?”, indaga Bella. De acordo com a vereadora os profissionais da Fagifor custam anualmente R$ 147 milhões dos cofres municipais, enquanto R$ 100 milhões são gastos com publicidade do Prefeitura.

Outra parlamentar a criticar a decisão, foi Adriana Gerônimo (PSOL). Segundo a vereadora, ela não esperava que a mensagem fosse desrespeitar tanto à Câmara de Fortaleza, a ponto de prejudicar a análise da matéria: ”Isso eu já acho muito grave, não esperava que acontecesse nesses moldes”. ”Pedi destaque à matéria, no artigo que trata da carga horária, e agora na Comissão às três emendas minhas foram rejeitadas. O nutricionista, o técnico em enfermagem, o motorista socorrista, serão prejudicados com essa carga horária excessiva. Ninguém da defendendo a redução da carga horária, mas sim a adequação, porque se vai ser servidor deve se prezar a igualdade entre todas as categorias. No mesmo equipamento, não vale eu como técnica de enfermagem trabalhar 240 horas, enquanto o mesmo colega técnico trabalhar 180 horas , é um desequilíbrio!”.

Foto: Ascom SindSaúde

Em nota o Sindicato de Saúde afirmou que a paralisação continuará: ”Diante da aprovação do projeto e da flagrante injustiça institucionalizada contra os trabalhadores da extinta Fagifor, a categoria, junto ao Sindsaúde Ceará e as demais entidades sindicais, definiu: paralisação com início no Frotinha da Messejana, às 6h30, nesta sexta-feira, 06 de junho. O movimento seguirá com mobilizações em outros equipamentos, reafirmando que não haverá recuo diante do desrespeito”.