Ministro da Previdência garante que governo estancou fraude, mas não diz quando será devolvido dinheiro desviado de aposentados e pensionistas

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O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, garantiu na Câmara dos Deputados que o governo pôs fim à fraude de descontos associativos indevidos no INSS, mas não disse, porém, que será devolvido o dinheiro desviado de aposentadorias e pensionistas. Wolney participou de audiência pública conjunta das Comissões de Previdência e de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa.


As investigações apontam que, entre 2019 e 2024, foram desviados, pelo menos, R$ 6,3 bilhões dos beneficiários do INSS. O escândalo veio a público em abril por meio da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União.


Após o escândalo, o INSS suspendeu os descontos e pediu bloqueio de bens e responsáveis pelas entidades envolvidas com as fraudes. “O escândalo não começou agora, mas terminou neste governo. A fraude era antiga, mas a resposta dada por nosso governo foi uma resposta definitiva”, afirmou Wolney Queiroz, que substitui o então ministro Carlos Lupi.


Ao longo dos últimos três anos, o INSS e o Ministério da Previdência Social receberam denúncias sobre o elevado número de beneficiários com descontos indevidos, mas ignoram as queixas. O Governo Federal agiu após a Polícia Federal e a CGU estourarem o esquema de fraudes.


Para o ministro Wolney Queiroz, as ações de uma força-tarefa permanente da Previdência Social, Ministério Público Federal e Polícia Federal com foco no combate a fraudes são determinantes para o fim das fraudes. De 2023 até agora, foram 333 prisões, incluindo flagrantes e mandados judiciais, e 103 servidores demitidos. Projeta-se economia de R$ 1,3 bilhão aos cofres públicos com essas ações. O ministro ainda anunciou para 12 de junho a apresentação oficial do novo Plano de Integridade do INSS (2025/26), que identifica e classifica os riscos e propõe ações específicas de mitigação.


No cargo desde maio em substituição ao ex-ministro Carlos Lupi, Wolney Queiroz disse ter assumido a Previdência sem estar “inebriado pelo cargo, mas para ser o porta-voz da indignação que tomou conta da sociedade brasileira” diante dos descontos não autorizados de aposentados e pensionistas.


O presidente da Comissão do Idoso, deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), se manifestou diante dos vários projetos de lei analisados no Congresso sobre o tema, inclusive com possibilidade de fim dos descontos associativos.


“Nós não podemos fechar as entidades sérias que prestam serviço nos grotões do Brasil. A solução é a polícia mesmo pegar os criminosos e prender quem roubou os aposentados e pensionistas no Brasil”, disse.


Deputados governistas e da oposição também exigiram punição rigorosa aos fraudadores, mas divergiram quanto ao início dos atuais descontos não autorizados.


O deputado Alencar Santana (PT-SP) falou pela liderança do governo. “Quando começou a fraude no INSS? É sabido: começou no governo anterior. Das entidades envolvidas no roubo, quantas foram cadastradas no governo anterior? Salvo engano, são sete”, disse.


Um dos autores do requerimento de audiência e vice-líder da Oposição, o deputado Sanderson (PL-RS) lamentou a falta de apoio do governo para a investigação do caso no Congresso. “Apresentamos o requerimento de CPI e nós aqui não obtivemos o apoio de nenhum parlamentar governista para investigar e buscar a verdade sobre tudo”, afirmou.


O ministro Wolney Queiroz defendeu a independência de investigação da Política Federal e manifestou receio de que a CPI se transforme em “palco de disputa política” que atrapalhe o efetivo ressarcimento dos aposentados e pensionistas.


Outro autor de requerimento, o presidente da Comissão da Previdência, deputado Ruy Carneiro (Pode-PB), reclamou da demora de atendimento aos beneficiários do INSS nas regiões Norte e Nordeste. O ministro admitiu o problema e reafirmou a meta do governo de zerar a fila de atendimento. Citou o recente concurso público para a contratação de 250 novos peritos, que devem iniciar o trabalho em agosto.


Wolney Queiroz afirmou que a Previdência é o maior programa de transferência de renda contínua do mundo, com injeção de R$ 77,8 bilhões por mês (R$ 1 trilhão/ano) na economia. O benefício médio é de R$ 1,8 mil e movimenta a microeconomia brasileira. Ao todo, são 99,3 milhões de segurados (RGPS).


(*) Com informações da Agência Câmara