Afetando não apenas o ambiente, mas também a saúde mental, as mudanças climáticas acarretam em grandes desafios. Os períodos de calor excessivo que podem durar dias ou semanas e ultrapassar os 40°C, são um exemplo claro de como esses fenômenos impactam a saúde humana. Mas qual é o efeito psicológico dessas condições extremas?
O psiquiatra e professor adjunto no Departamento de Medicina Forense e Psiquiatria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Thiago Roza, explica que as ondas de calor exercem um impacto significativo no cérebro. Roza alerta que episódios de transtornos psicóticos, como esquizofrenia e transtornos bipolares, podem ser desencadeados ou piorados pela exposição prolongada a altas temperaturas.
Uma análise feita na Austrália, analisou mais de 50 ondas de calor ocorridas entre 1990 e 2020. Os resultados, publicados em 2021 em uma revista internacional, revelaram que, para cada aumento de 1°C, há um incremento de 2,2% na mortalidade associada a doenças mentais.
No Brasil, a diversidade geográfica e climática implica em diferentes desafios em cada região. O Sul do Brasil, frequentemente afetado por chuvas intensas e enchentes, experimenta estressores psicológicos diferentes em comparação com o Nordeste, onde as secas prolongadas são mais comuns.
