O debate sobre criptomoedas saiu do nicho dos entusiastas e passou a ocupar um espaço importante em instituições tradicionais, especialmente no último par de anos. Grandes executivos do setor cripto, como Eric Turner (CEO da Messari) e Thomas Eichenberger (chief strategy officer do Sygnum Bank), apontam que bancos globais devem adotar ativos como Bitcoin e outros tokens até o final desse ano.
Essa projeção se baseia em avanços regulatórios e no aumento da demanda por parte de investidores institucionais. Ou seja, já não se trata apenas de um mercado especializado ou de um público comum. O Brasil, e o mundo, abraçou tanto as moedas digitais que grandes setores, mais rígidos inclusive, também tiveram que dar a devida atenção.
A chegada dessas instituições no mercado pode trazer muitos benefícios. Mais do que checar as novas criptomoedas Coinbase para começar a investir, outros produtos relacionados aos criptoativos podem chegar a população em geral, facilitando o investimento e até o uso diário.
Tokens de cripto: De nicho a mainstream
No início, criptomoedas como Bitcoin eram consideradas um experimento e atraíam principalmente pioneiros em tecnologia. Hoje, diversas instituições financeiras reconhecidas passaram a enxergar valor nesses ativos digitais e estão buscando incorporar serviços de custódia, negociação e consultoria.
De acordo com uma pesquisa conduzida pela Fidelity Investments, mais de 58% dos investidores institucionais no mundo já tiveram algum nível de exposição a criptomoedas. Se comparado a dados de quatro ou cinco anos atrás, o percentual de adoção em grandes corporações era muito menor.
Além disso, os rumores de que grandes bancos de investimento e redes de pagamentos estão estudando a criação de produtos focados em cripto reforçam a ideia de que a tecnologia blockchain não é apenas uma moda passageira. E um dos fatores mais decisivos para a adoção institucional é a regulamentação.
Eric Turner e Thomas Eichenberger argumentam que a criação de bases legais claras, principalmente nos Estados Unidos, deve servir de gatilho para que bancos internacionais se sintam seguros para oferecer serviços relacionados a criptoativos. Mas essa tendência não se restringe apenas ao mercado norte-americano.
Regulações progressistas na Europa, em países da Ásia e também na América Latina podem acelerar o processo de adoção. Instituições como o Banco de Compensações Internacionais (BIS) vêm publicando relatórios que sinalizam a importância de regulamentar e fiscalizar o mercado cripto.
Segundo um dos relatórios do BIS, a adoção coordenada de políticas pelos bancos centrais contribui para diminuir riscos e dar mais transparência às transações envolvendo criptoativos. No Brasil, por exemplo, o interesse em Bitcoin e outras criptomoedas ganhou força nos últimos anos.
A Receita Federal já registrou que mais de 7,7 milhões de brasileiros declararam posse de algum tipo de ativo digital, demonstrando o crescimento do mercado local. Além disso, dados do Banco Central do Brasil indicam que o volume negociado em plataformas de cripto no país continuou a aumentar mês a mês, chegando à casa dos bilhões de reais em transações.
Outro ponto é o desenvolvimento do Real Digital, iniciativa do próprio Banco Central que visa criar um ambiente regulado para que instituições possam emitir e movimentar ativos em um ecossistema digitalizado. Essa iniciativa mostra que, mesmo em meio a mudanças políticas e econômicas, há uma inclinação oficial para explorar a tecnologia blockchain no Brasil.
Dados e estatísticas do setor no Brasil
De acordo com um estudo da gestora de investimentos Hashdex, o volume institucional em Bitcoin no Brasil cresceu cerca de 40% em 2022, indicando a entrada de fundos e gestores que antes se mantinham à margem do mercado cripto. Em 2023, as principais bolsas de criptomoedas no país registraram recordes de cadastro de usuários, ultrapassando a marca de 1 milhão de contas ativas em diversas plataformas.
Com a alta volatilidade dos ativos digitais, muitos investidores brasileiros optam por stablecoins atreladas ao dólar. Segundo relatórios de mercado, o USDT (Tether) e o USDC (USD Coin) dominam a preferência desses usuários, pois apresentam baixo risco de variação cambial em relação ao real.
Em 2024, essas stablecoins representaram 26% dos ativos digitais adquiridos no país, superando o Bitcoin, que respondeu por 22% das compras, conforme relatório da Bitso. Mas não é só o investidor pessoa física que vem sendo atraído pela promessa de retornos ou pela curiosidade tecnológica. Grandes companhias do ramo financeiro já perceberam que ignorar criptomoedas pode significar perder relevância no longo prazo.
Quando um banco decide oferecer produtos de investimento em ativos digitais ou suportar pagamentos em criptomoedas, isso sinaliza que a instituição quer se manter competitiva. Além disso, parcerias entre bancos e fintechs especializadas em blockchain podem reduzir custos de remessas internacionais, melhorar a eficiência das transações e trazer maior transparência para processos de compliance.
