O chão de concreto, o esgoto a céu aberto e os rios esquecidos também fazem parte do meio ambiente. É desse olhar, vindo das periferias, que nasce “Olhares Marginais”. De 11 de agosto a 31 de outubro de 2025, a iniciativa fotográfica — realizada pela Rede Reaver, com curadoria da fotógrafa periférica Mar Pereira — vai percorrer 12 escolas estaduais de Fortaleza, impactando cerca de 10 mil estudantes.
Reunindo imagens captadas por diferentes perspectivas de quem vive nas periferias, o projeto convida à reflexão sobre o racismo ambiental e incentiva um olhar crítico às desigualdades socioambientais. Suas narrativas visuais partem das vivências de territórios onde a ausência de políticas públicas, as violências estruturais e o abandono moldam o cenário urbano.
A partir desse contexto, “Olhares Marginais” transforma denúncia em arte, reafirmando a periferia como território de vida, criação e resistência. Fruto da escuta e da observação sensível de quem vivencia o cotidiano periférico, o trabalho revela — por meio das lentes — o que muitas vezes é invisibilizado: os impactos do abandono institucional, a desigualdade racial nas políticas urbanas e ambientais e as estratégias coletivas que fazem florescer novas potências nos territórios.
“A luta segue viva em memória do Rio Maranguapinho,” é assim que Inaiê, integrante da Rede Reaver e morador do Grande Bom Jardim, define o sentido das imagens que produziu para a exposição. Fotografadas às margens do rio, suas obras revelam um cotidiano marcado pela negligência das políticas públicas nas periferias. Agora, esses registros também concorrem na categoria “Imagem Destacada” do FotoDoc 2025 – Festival Internacional de Fotografia.
“Olhares Marginais” é uma iniciativa da Rede Reaver, com apoio do Coletivo Bom Jardim em Ação, e integra o projeto “Jovens como Protagonistas da Saúde Ambiental no Nordeste do Brasil”, executado pelo Instituto Terre des Hommes Brasil (TdH Brasil), em parceria com a organização filantrópica alemã KNH e o Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha (BMZ).
O projeto tem como objetivo promover o direito à saúde ambiental de crianças e adolescentes, fortalecendo a
mobilização juvenil como força transformadora.
Participarão as escolas: Telina Barbosa da Costa (Messejana), Helenita Mota (Cais do Porto), Maria Thomas (Vila Peri), Félix de Azevedo (Rodolfo Teófilo), Comendador Miguel Gurgel (Guajeru), Moema Távora (Pirambu), Diva Cabral (Jardim Cearense), Poeta Otacílio Colares (Ancuri), Santa Luzia (Meireles), Maria Alves Carioca – CAIC (Granja Lisboa), Dona
Júlia Alves Pessoa (Bom Jardim) e EEFM São Francisco de Assis (Canindezinho).
