O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, elevou o tom do discurso em defesa da anistia aos envolvidos nos atos golpistas do fim de 2022 e do dia 8 de janeiro de 2023. Em entrevista à Rádio Eldorado nesta terça-feira (9), ele afirmou que o partido vai “parar” o Congresso Nacional caso a proposta de anistia não seja pautada e votada. Segundo Valdemar, o PL já tem maioria para aprovar a medida.
“Se não votarem a anistia, nós vamos parar o Congresso. Hoje temos maioria para isso. Não queríamos dar prejuízo ao País, evidentemente que não, mas vamos ter que parar, porque não temos outra arma e precisamos fazer alguma coisa”, declarou.
ANISTIA IRRESTRITA
O dirigente do PL reforçou que não há disposição para negociar pontos da proposta. A declaração é um recado direto às cúpulas da Câmara e do Senado, especialmente após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ter sinalizado que não aceita uma anistia “ampla, geral e irrestrita”.
Na entrevista, Valdemar evitou polemizar sobre a fala do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que chamou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de “tirano”. Disse apenas que respeita o Supremo, mas classificou a situação como “uma loucura”.
BANDEIRA NORTE-AMERICANA
Outro ponto polêmico foi sua defesa da bandeira dos Estados Unidos exibida na manifestação de 7 de setembro, em São Paulo. Para Valdemar, o gesto foi positivo, pois reforça a esperança de que Donald Trump possa ajudar Jair Bolsonaro.
O presidente do PL também comentou sobre as especulações em torno da candidatura de Bolsonaro. Disse que a prioridade é a aprovação da anistia para viabilizar sua volta às urnas. Caso isso não seja possível, caberá ao próprio ex-presidente indicar o substituto e o vice.
HOSTILIZAÇÃO A ROMÁRIO
Em relação ao senador Romário (PL-RJ), hostilizado na manifestação por não apoiar o impeachment de Moraes, Valdemar descartou expulsão. Justificou que o partido, com 15 senadores, precisa manter força no Congresso.
Por fim, falou sobre o futuro do PL em São Paulo. Citou nomes como Ricardo Mello Araújo, Marco Feliciano e Cezinha de Madureira como alternativas para o xadrez político no Senado, caso Eduardo Bolsonaro não esteja disponível.
Com tom radical, Valdemar deixou claro que a anistia é prioridade máxima do PL e que, sem ela, haverá confronto direto com a agenda do Congresso.
