Pesquisa revela: 54% dos eleitores estão fora do lulismo e do bolsonarismo e buscam alternativas moderadas

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A um ano da eleição presidencial, mais da metade dos brasileiros demonstra estar fora da polarização que marcou as últimas disputas entre o lulismo e o bolsonarismo. Conservadores em valores, mas moderados no tom, esse grupo — descrito como “invisível” no debate público — representa 54% da população e pode ser decisivo na definição dos rumos políticos do país em 2026.

Os dados são de uma pesquisa da ONG More in Common, realizada em parceria com o instituto Quaest, coordenada pelo professor Pablo Ortellado, da Universidade de São Paulo (USP) e publicada, neste domingo (5), pelo Jornal O Globo.

O levantamento mostra que a maioria dos eleitores encontra-se no centro do espectro político, cansada da radicalização e menos inclinada a participar de embates ideológicos.

TENDÊNCIA DE VOTOS

Segundo Ortellado, “as posições mais extremas se concentram em grupos pequenos, enquanto a maioria está no meio, exausta da polarização”. Ele explica que esses brasileiros “não são despolitizados, mas preferem não se manifestar em protestos ou nas redes, o que os torna invisíveis na discussão pública”.

O estudo dividiu o eleitorado em seis segmentos. Nos extremos estão os progressistas militantes (5%) e a esquerda tradicional (14%), de um lado, e os conservadores tradicionais (21%) e os patriotas indignados (6%), de outro. No centro, estão os desengajados (27%) e os cautelosos (27%), grupos mais numerosos e voláteis.

DESENGAJADOS

Entre os desengajados, 30% afirmam ter votado nulo, branco ou se abstido nas eleições de 2022, e 65% não se identificam com nenhum partido político. Apenas 15% consideram importante participar de manifestações públicas. Já os cautelosos têm perfil socioeconômico mais vulnerável: só 11% concluíram o ensino superior, 55% têm renda inferior a R$ 5 mil e 12% relataram já ter passado fome.

Nesse perfil, estão os eleitores dos segmentos nordestino (31%), rural (17%) e católico (48%). Embora apresentem um pouco mais de engajamento — 26% veem relevância na participação em protestos —, ainda se mantêm afastados da polarização que domina o cenário político nacional.

VOZ DAS RUAS

A pesquisa ouviu 10 mil pessoas em todas as regiões do país, entre 22 de janeiro e 12 de fevereiro de 2025, com margem de erro de um ponto percentual. O retrato revela que a eleição de 2026 poderá ser decidida justamente por essa maioria silenciosa, que rejeita os extremos e busca alternativas mais equilibradas para o futuro do Brasil.