Sem investimentos e sem renovação da frota, o sistema de transporte coletivo de Fortaleza se tornou um verdadeiro desafio diário para quem depende dos ônibus. A precariedade dos veículos, os longos intervalos e o trânsito cada vez mais congestionado transformaram o deslocamento em uma rotina de cansaço e impaciência para milhares de fortalezenses.
Diante desse cenário, como destaca o repórter Gabriel Alves, em participação no Jornal Alerta Geral, mais de 100 mil moradores da capital já optaram por trocar o ônibus pela motocicleta, em busca de rapidez e autonomia. A escolha reflete não apenas uma mudança de hábito, mas também a perda de confiança no transporte público, que deveria ser a espinha dorsal da mobilidade urbana.
Os dados mostram o contraste: 36% dos usuários de ônibus levam mais de uma hora para chegar ao destino, enquanto apenas 7% dos motoristas e 6% dos motociclistas enfrentam o mesmo tempo de deslocamento.
As informações foram coletadas no questionário da amostra do Censo Demográfico 2022 e divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (9). O levantamento apresenta as características do deslocamento para trabalho ou estudo, com perguntas direcionadas aos moradores com 10 anos de idade ou mais.
Para compreender esse aspecto, o IBGE considerou o principal meio de transporte utilizado para o deslocamento até o local de trabalho. Caso a pessoa utilizasse mais de um modal no trajeto casa-trabalho, deveria informar aquele em que permanecesse mais tempo durante o percurso.
O resultado é visível nas ruas — mais motos, mais riscos e mais poluição, enquanto os ônibus envelhecem e a frota se reduz. Sem políticas públicas eficazes e investimentos contínuos, o transporte coletivo da capital cearense se distancia cada vez mais da promessa de ser uma opção eficiente, segura e acessível para todos.
Confira mais informação com o jornalista Gabriel Alves
