Consumo de bebidas alcoólicas, especialmente destilados, apresenta retomada gradual em São Paulo após queda inicial por casos de intoxicação por metanol, com vendas começando a se recuperar enquanto investigações seguem em curso.
Quando começaram a circular as notícias de intoxicação por metanol no Estado de São Paulo, os bares pertencentes ao Grupo Azim registraram uma queda de 80% nas vendas de bebidas destiladas. Agora, algumas semanas depois, o montante está em torno dos 60% abaixo do período pré-crise, segundo Fausto Saez, representante do grupo que administra os bares Posto 6, Salve Jorge e Omadá.
Os dados de faturamento do mês de outubro ainda não estão consolidados, mas Fausto estima que houve uma redução de 20% em comparação com o mesmo mês do ano passado, na média entre os três bares, assim como aconteceu em setembro. O resultado, porém, não surpreende e não tem ligação somente ao metanol. “O mês de outubro começou bem ruim, mas também tem a questão do clima que interfere muito. Começou um mês meio frio, chuvoso”, resume.
Na rotina dos três bares, os clientes passaram a perguntar de onde vem a bebida que eles tomam, pedir para conferir nota fiscal, além de dar preferência por cerveja e chope. Caipirinha com cachaça no lugar de vodka também tem conquistado o paladar dos frequentadores.
Essa rotina também é relatada por Caire Aoas, sócio da Fábrica de Bares, que destaca a preferência por ‘vinhos, espumantes e cerveja'. “Tivemos uma queda de consumo per capita entre 40 e 50% de bebida destilada”, ressalta. No entanto, o ritmo parece estar retornando: “Nessa semana, as pessoas já estão se sentindo mais seguras, nos últimos dias a situação praticamente já está normalizada.”
O cenário segue o resultado do acompanhamento feito pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em São Paulo. Segundo levantamento feito pela associação com donos de negócios do setor, houve um recuo de 30% nas vendas na primeira semana após a divulgação dos casos de intoxicação por metanol. Mas já na semana passada, as vendas subiram 10% em relação à anterior, o que pode significar uma retomada gradual do consumo de destilados.
“No primeiro momento, houve uma preocupação por parte dos consumidores, o que provocou queda nas vendas de destilados. Apesar disso, o impacto sobre o faturamento dos negócios não foi relevante. Nesta última semana, já se observa uma recuperação no consumo dessas bebidas, com destaque para o whisky e o gim”, afirma a Abrasel em nota.
Com relação ao mês de setembro, que foi quando começaram os registros de intoxicação por metanol, as vendas no setor de bares e restaurantes em todo o Brasil caíram 4,9% frente ao mês anterior, de acordo com dados já consolidados da Abrasel. Ainda assim, o Estado de São Paulo, que concentra grande parte dos casos de intoxicação, teve uma das menores quedas, com -2,7% nas vendas.
Como a confirmação da primeira morte por intoxicação por metanol ocorreu no final de setembro, pode ser que o impacto seja visto com maior intensidade nos dados consolidados de outubro.
As maiores quedas no setor de bares e restaurantes em setembro ocorreram em:
Roraima (-11,5%);
Pará (-9,9%);
Rio de Janeiro e Santa Catarina (-7,6%);
Paraíba e Sergipe (-7%);
Mato Grosso (-6,9%);
Rio Grande do Sul (-6,5%);
Rondônia (-5,8%);
Ceará (-4,9%);
Bahia (-4,2%);
Alagoas e Tocantins (-4,1%);
Pernambuco (-3,9%);
Espírito Santo (-3%);
São Paulo (-2,7%);
Minas Gerais (-2,4%);
Amazonas (-1,6%);
Goiás e Paraná (-1,1%);
Rio Grande do Norte (-1%)
e Piauí (-0,4%).
