O cenário cearense entre a imensidão dos mares e os fortes ventos atrai atletas profissionais e amantes do kitesurfe de diversos países, especialmente no segundo semestre do ano, período em que os ventos alísios atingem seu ápice. Cada rajada impulsiona não apenas pranchas e pipas, mas também o turismo, gerando novas oportunidades e consolidando o estado como um dos destinos mais buscados.
O esporte, que surgiu na França em 1990, é um importante agente impulsionador. A pipa inflável, capaz de decolar da água, passou de inovação a modalidade olímpica, ganhando força mundialmente. No Ceará, o esporte chegou em meados dos anos 2000, influenciado pelo windsurfe – cujas técnicas se assemelham às do surfe e do wakeboard.
De acordo com a Secretaria do Turismo (Setur), o gasto médio per capita do visitante que vem para a prática do kite atingiu R$ 3.965,45 em 2025. Já a receita turística direta, derivada deste segmento, cresceu de R$ 1,145 para R$ 1,387 bilhão, o que equivale a um avanço de 21,2% em apenas um ano. Os números levantados pelo Governo do Estado refletem o crescimento que o negócio de Bê do Kite apresenta.
“O kite representa minha vida”
Fonte de renda, o kitesurfe é um esporte que desempenha um papel importante na vida de muitos cearenses. “Foi com ele que eu realizei sonhos. É dele que me sustento, ajudo minha família, construí minha própria casa. O kite me deu a oportunidade de conhecer outros países, outras culturas”, conta Bê.
Já para o instrutor Tomaz André, da SoulKite, a modalidade representa uma ferramenta de transformação. “O kite surgiu na minha vida como uma oportunidade de impactar o mundo à minha volta, através do que eu acredito. E, com isso, procuro impactar positivamente a vida dos meus alunos. Independente da esfera social e econômica de onde ele venha, ele vai sempre levar um pouco mais de aprendizado.”
O Ceará colhe frutos no turismo internacional com o kitesurfe. Estrangeiros de vários países buscam o estado para a prática do esporte, passando de uma a duas semanas hospedados em pousadas, hotéis e resorts, velejando todos os dias e gerando oportunidades para os cearenses. Neste ano, em comparação a 2024, o número de turistas nesse segmento saltou de 297.515 para 350.000, o que representa um aumento de 17,6%.
Na Ilha do Guajirú, onde os bons ventos da temporada nos levaram, kitesurfistas do mundo todo transformavam o horizonte em um espetáculo colorido. Por lá, o que menos se ouve neste período do ano é o português.
Com informações do Governo do Estado do Ceará
