Pesquisa Datafolha aponta que 40% dos motoristas de aplicativo não contribuem para o INSS e ficam sem proteção previdenciária

Uma pesquisa do Instituto Datafolha, realizada a pedido da Uber, revela um dado preocupante sobre a realidade dos motoristas de aplicativo no Brasil: 40% dos trabalhadores que fazem parte da categoria não contribuem para o INSS e, por isso, estão sem qualquer tipo de proteção previdenciária em caso de doença, acidente ou aposentadoria.


De acordo com o levantamento, 60% dos motoristas disseram ter algum tipo de cobertura previdenciária — seja pelo INSS ou por planos privados. Desses, 33% são segurados por também trabalharem com carteira assinada, 18% contribuem como autônomos, e 9% possuem apenas previdência privada.

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CUSTO DA CONTRIBUIÇÃO


Entre os que estão fora do sistema de proteção, o custo da contribuição foi apontado como principal obstáculo, citado por 32% dos entrevistados. Outros 23% afirmaram que o modelo atual é incompatível com a realidade da profissão, e 17% mencionaram a burocracia como motivo para não contribuir.

CONTRADIÇÃO: INDIFERENÇA E MEDO


A pesquisa também identificou uma contradição: muitos motoristas reconhecem a importância da previdência, mas não contribuem por considerarem o sistema caro e complexo — ao mesmo tempo em que temem o desamparo em situações de acidente ou doença.


O custo de manutenção e o conserto dos veículos, de acordo com a pesquisa, são citados por 49% dos entrevistados entre as maiores preocupações da categoria. Em seguida, aparecem o medo de assaltos (37%), o receio de perder a renda em caso de acidente (36%) e o temor de ficar sem trabalhar por motivo de doença (31%).


O levantamento ouviu 1.800 motoristas com cadastro ativo em aplicativos, entre maio e agosto deste ano, em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.


O estudo mostra ainda que seis em cada dez condutores rejeitam a ideia de serem contratados pelo regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), preferindo manter a flexibilidade que o modelo atual oferece.