À medida que se aproxima o cumprimento integral da pena imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta um cenário de crescido isolamento político e pessoal.
A prisão domiciliar, que o afastou das ruas e do contato direto com aliados, tem lhe imposto não apenas restrições físicas, mas também fragilidade no campo político, ainda que sua influência permaneça viva entre eleitores mais à direita.
Um levantamento do jornal O Estado de S. Paulo mostra que o isolamento do ex-presidente é acompanhado de uma queda drástica nas visitas de antigos aliados — muitos dos quais chegaram ao poder sob sua sombra política. O fenômeno tem sido descrito, nos bastidores de Brasília, com a velha expressão: “rei posto, rei morto”.
De acordo com o jornal, o número de pedidos para visitar Bolsonaro em sua prisão domiciliar caiu 74% desde agosto. Nas primeiras quatro semanas, foram 123 solicitações de visitas; nos últimos 30 dias, o número despencou para 32. Em novembro, até o dia 7, apenas 10 pedidos foram registrados — a maioria de familiares, como o irmão Renato Bolsonaro, e de grupos de oração liderados pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Entre os políticos que mais tentaram manter contato está o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que chegou a apresentar nove pedidos de visita. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou em outubro a proibição de encontros entre ambos, após a reabertura de uma investigação sobre a suposta participação do dirigente partidário na tentativa de golpe de Estado.
O encolhimento da rede de apoio e a perda de protagonismo presencial evidenciam um novo capítulo na trajetória do ex-presidente: menos influência direta, mais distância do poder e crescente solidão política.
