Um exemplo que vem de longe reforça o debate global sobre o uso excessivo de telas por crianças e adolescentes. O governo da Dinamarca anunciou um plano para proibir o uso de redes sociais por menores de 15 anos, com o objetivo de conter os efeitos tóxicos de conteúdos violentos, sexuais e de automutilação que circulam nas plataformas digitais.
De acordo com a proposta, os pais poderão autorizar o acesso a partir dos 13 anos, desde que haja uma avaliação individual do nível de maturidade da criança. O projeto, divulgado na última sexta-feira (7), também estabelece que as plataformas deverão realizar uma verificação obrigatória de idade, possivelmente por meio de um aplicativo nacional.
As empresas que descumprirem as regras poderão ser multadas em até 6% de sua receita global, um sinal claro de que o governo dinamarquês pretende enfrentar as big techs com rigor.
A ministra de Assuntos Digitais, Caroline Stage, descreveu a situação como uma “epidemia silenciosa”, marcada pela exposição precoce e pelo descontrole no uso das redes.
“O tempo que passam online e o contato com conteúdos nocivos representam um risco grave para as nossas crianças. As big techs têm recursos quase ilimitados, mas não investem o suficiente na segurança dos nossos filhos”, afirmou.
O projeto ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento, mas já conta com apoio da maioria dos partidos. Se aprovado, a Dinamarca poderá se tornar o primeiro país da Europa a adotar uma restrição nacional tão ampla, servindo de referência mundial no combate aos impactos do uso excessivo das redes sociais na infância e adolescência.
