Reitor da Unilab, Roque Albuquerque, afirma que Dia da Consciência Negra é um chamado à ação e destaca protagonismo e desafios da população negra no Brasil

O reitor da Unilab, professor Roque Albuquerque, afirmou, em entrevista ao Jornal Alerta Geral, que o Dia da Consciência Negra, celebrado neste 20 de novembro, é “uma das datas mais relevantes do calendário brasileiro” por resgatar a história, a luta e a resistência do povo negro.

Segundo Roque, a data vai além da memória: “É um chamado à ação, para reconhecer conquistas, denunciar injustiças e valorizar o protagonismo negro em todos os espaços”.

POUCOS AVANÇOS

O reitor da Unilab lembra que o feriado nacional é recente — instituído apenas em dezembro de 2023 pela Lei 14.759 — e representa um avanço ainda insuficiente. “Avançamos pouco. Ainda há muito a superar”, declarou. Para o reitor, a data contrapõe duas narrativas históricas: a liberdade “dada”, simbolizada pelo 13 de maio, e a liberdade “conquistada”, que ele define como resistência. “O Dia da Consciência Negra reafirma que ainda temos muitas lutas por travar”, ressaltou.

Ao destacar o papel da Unilab, Albuquerque afirmou que a instituição nasceu como política de reparação histórica e integração com países africanos de língua portuguesa. “Somos a única universidade criada com essa vocação. Reparar não é tratar ninguém como inferior, mas reconhecer desigualdades e enfrentá-las com educação, pesquisa e inclusão”, disse.

RACISMO CAMUFLADO

O reitor avalia que o racismo estrutural ainda se manifesta de forma camuflada, especialmente em políticas de exclusão e nos indicadores de violência. Defendeu, ainda, o avanço de políticas afirmativas. “Não podemos tratar como iguais aqueles que partem de pontos tão distintos. A educação é o motor da transformação”.

Roque também cobrou a efetiva implementação da Lei 10.639, que determina o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas. “Ainda não vemos letramento racial como política de Estado. E sem isso, as desigualdades persistem”, alertou.

Ao encerrar a entrevista, o reitor da Unilab destaca que o 20 de novembro deve reforçar o protagonismo negro: “Zumbi é o símbolo da liberdade conquistada, não concedida. O Brasil tem inúmeros nomes inspiradores, e cabe a nós garantir que essas vozes sejam ouvidas”.

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