Em um cenário em que milhões de pessoas recorrem diariamente à inteligência artificial para tirar dúvidas emocionais, buscam consultas psicológicas em plataformas virtuais e convivem com o avanço preocupante dos vícios tecnológicos — sobretudo os ligados a jogos online — o psiquiatra e escritor Roberto Mandetta lança, nesta quarta-feira (26), no Ideal Clube, em Fortaleza, um livro que reacende um debate urgente: “Psiquiatria da Pessoa”, obra que propõe uma nova visão para compreender o sofrimento psíquico na era digital.
CUIDADO PSIQUIÁTRICO
Em entrevista ao Jornal Alerta Geral, Mandetta explica que o livro nasce da necessidade de recolocar o ser humano no centro do cuidado psiquiátrico. “A ideia da psiquiatria da pessoa é ajudar o psiquiatra a enxergar no indivíduo uma unidade que não é só corpo, mas também alma e espírito”, afirma Mandetta em um dos trechos da entrevista que vai ao ar, na íntegra, nesta quarta-feira (26), a partir das 7 horas da manhã.
A dependência crescente de IA, segundo o psiquiatra, cria uma relação perigosa: “Se não desenvolvermos nossa dimensão espiritual, corremos o risco de ficar aprisionados por essa máquina”, observa.
O autor critica a psiquiatria moderna excessivamente biologicista, que reduz o tratamento ao uso de medicamentos. “O ser humano vai além do cérebro. Não adianta querer resolver tudo com remédio”, reforça.
MEDICAÇÃO E ESTIGMA
Segundo Mandetta, muitos pacientes sentem-se mal atendidos porque recebem apenas uma prescrição, sem que o terapeuta investigue a causa profunda do sofrimento. “A ansiedade é a fumaça. Precisamos encontrar o fogo para apagá-lo”.
Ele também destaca o estigma que ainda envolve as consultas psiquiátricas: “Ainda existe o preconceito de que psiquiatra é para louco. Isso precisa mudar”. E alertou para os riscos de substituição do atendimento humano por robôs: embora a IA possa oferecer respostas úteis, “ela nunca vai te dar acolhimento nem empatia — porque isso pertence ao coração, ao amor, e não às máquinas”.
TERAPIA E ATENÇÃO ESPIRITUAL
Mandetta defende que o tratamento exige olhar integral, psicoterapia e, quando necessário, abordagem espiritual. Ele alerta: “A máquina informa, mas não cura. Quem cura é a relação humana, olho no olho”.
LANÇAMENTO DO LIVRO
O livro, que será lançado nesta quarta-feira, 26 de novembro, às 19h, no Ideal Clube, em Fortaleza, é voltado ao público em geral. “Não é autoajuda. É um convite à reflexão, um livro para quem quer compreender o ser humano na sua totalidade”, explicou.
Mandetta reafirma, na conversa com o jornalista Luzenor de Oliveira, que a publicação tem o compromisso de provocar uma mudança no olhar sobre a saúde mental: “A psiquiatria precisa voltar a enxergar a pessoa, não apenas o cérebro”.
Com Psiquiatria da Pessoa, Roberto Mandetta convida a sociedade a repensar o futuro da saúde emocional — em um mundo que, cada vez mais, troca o vínculo humano por telas, dados e algoritmos.

