As declarações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro contra uma aliança com o ex-presidenciável Ciro Gomes e na defesa do apoio do PL à pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Estado deixaram atônitas as lideranças estaduais do União Brasil, do PSDB e do grupo comandado pelo deputado federal André Fernandes.
O descompasso na agenda da aliança partidária caiu como verdadeira bomba que exigiu cautela de dirigentes do PSDB e União Brasil. André tenta superar o mal-estar e levou o assunto à Executiva Nacional do PL. Os repórteres Carlos Silva e Sátiro Sales, ao participarem do Jornal Alerta Geral, apresentam relatos sobre a crise no PL.
LEIA TAMBÉM
REUNIÃO DO COMANDO NACIONAL DO PL
Os dirigentes da legenda, sob o comando do presidente Valdemar Costa Neto se reúnem, nesta terça-feira (2), em Brasília, para avaliar o mal-estar e quais medidas serão adotadas para o PL manter a força eleitoral do bolsonarismo na ampliação de palanques de 2026.
A reunião foi convocada após os irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro condenarem as declarações de Michele. Os três consideram que Michele não tem autoridade para orientar e definir os rumos do PL nos Estados, mas, para alguns aliados, a ex-primeira-dama, ao condenar as negociações com Ciro Gomes, o fez com o aval do ex-presidente Bolsonaro.


RECADO DE MICHELE
Direta e determinada, Michelle não hesitou em reforçar que Eduardo Girão representa a única alternativa viável do bolsonarismo no Ceará – diferente de Ciro Gomes que, para ela, se tornou desafeto por atacar reiteradamente a família Bolsonaro. Com o apoio dos irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro, André Fernandes segue o caminho oposto à Michele.
ALIANÇA COMEÇA EM 2024
A aproximação entre André e Ciro não nasceu agora: começou ainda na eleição para a Prefeitura de Fortaleza, em 2024, quando André chegou ao segundo turno contra Evandro Leitão e recebeu o apoio do PDT, após José Sarto ficar fora da disputa.
André tenta, ao mesmo tempo, salvar a pré-candidatura do pai, deputado estadual Pastor Alcides, a senador. A aliança do PL com Ciro é fundamental para o projeto ao Senado. Sem os entendimentos com o PSDB e o União Brasil, essa candidatura fica frustrada.



AREIA NO VENTILADOR
As declarações públicas de Michelle Bolsonaro jogaram areia no ventilador do PL cearense, desestabilizaram as negociações com os partidos de oposição e geraram insegurança no projeto de eleger Alcides Fernandes ao Senado.



André já tinha manifestado desconforto com o gesto de Michele Bolsonaro manifestar apoio à pré-candidatura da vereadora Priscila Costa, gerando dificuldades nos entendimentos com as lideranças estaduais do PSDB e do União Brasil.



Mesmo com duas vagas ao Senado em 2026, na avaliação dos líderes da oposição, o PL não teria como emplacar as duas candidaturas uma vez que o União Brasil precisa ser também contemplado na chapa majoritária.
A reunião dos dirigentes nacionais do PL, nesta terça-feira, redefine os rumos das conversas com o PSDB e o União Brasil. As informações de bastidores apontam que André Fernandes será respaldado como porta-voz do ex-presidente Bolsonaro no Ceará para avançar na aliança com o ex-presidenciável Ciro Gomes.
LEIA MAIS
