Presidente da CPMI do INSS decreta prisão de ex-coordenador por omissão de informações durante depoimento

Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS - 2025 (CPMI - INSS) realiza reunião para instalação e eleição da comissão. O objetivo da comissão é investigar fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas. A CMPI é formada por senadores e deputados, num total de 32 titulares e igual número de suplentes. Em pronunciamento, à bancada, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), determinou, na madrugada desta terça-feira (2), a prisão de Jucimar Fonseca da Silva, ex-coordenador-geral de Pagamento de Benefícios do órgão. A decisão foi anunciada após Viana acusá-lo de omitir informações e prestar declarações consideradas inconsistentes durante o depoimento.

“Senhor Jucimar, por ter dito aqui que não foi convocado corretamente e por não ter informado as datas corretas questionadas pelo promotor, o senhor está preso por calar a verdade. Determino à Secretaria Geral da Polícia que o conduza para lavratura do flagrante”, afirmou o senador.

Jucimar, cujo depoimento vinha sendo reiteradamente adiado mediante apresentação de atestados médicos, foi localizado pela Polícia Legislativa ainda pela manhã e levado coercitivamente para prestar esclarecimentos. Ele foi afastado do cargo em abril, após a deflagração de uma operação da Polícia Federal sobre supostas fraudes no INSS.

A investigação apura sua participação na autorização de desbloqueios em lote para inclusão de descontos associativos a pedido da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura). Questionado sobre o elevado número de reclamações de beneficiários, Jucimar afirmou que os relatórios oficiais da ouvidoria não indicavam irregularidades na escala apontada e disse ter tomado conhecimento dos problemas apenas pela imprensa.

Durante o depoimento, negou ter recebido propina e declarou que sua nomeação se deu por critérios técnicos. Afirmou também que, como coordenador-geral, não tinha poder decisório sobre autorizações de pagamento, responsabilidade atribuída ao Diretor de Benefícios e ao presidente do INSS. Segundo ele, sua função se limitava ao acompanhamento dos processos, não à assinatura de despesas.

A prisão de Jucimar eleva a tensão política em torno da CPMI, que investiga possíveis falhas estruturais, fraudes e responsabilidades na gestão de benefícios do INSS.