A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou afastamento temporário da presidência do PL Mulher por motivos médicos. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (8) pelo Partido Liberal e confirmada por Michelle nas redes sociais. Segundo a nota, ela já vinha enfrentando alterações de saúde, que teriam sido agravadas pelas tensões recentes, especialmente após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com o comunicado oficial, a imunidade de Michelle foi afetada, tornando necessário o afastamento temporário para tratamento. O PL Mulher informou ainda que ela cumprirá o período inicial prescrito pelos médicos e passará por nova reavaliação antes de decidir sobre o retorno. Em razão da licença, o evento nacional do PL Mulher, previsto para 13 de dezembro no Rio de Janeiro, foi adiado para abril do próximo ano.
O afastamento ocorre em meio a um momento de forte turbulência política e familiar, poucos dias após a confirmação da condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão e também depois do anúncio de que o senador Flávio Bolsonaro foi escolhido pelo pai como pré-candidato à Presidência da República em 2026.
Além do quadro de saúde, Michelle esteve recentemente no centro de uma crise interna no PL, com repercussões estaduais e nacionais. Durante passagem pelo Ceará, ela anunciou apoio à pré-candidatura do senador Eduardo Girão ao governo do Estado, enfrentando diretamente o grupo do deputado federal André Fernandes.
Na ocasião, Michelle foi dura ao se opor ao movimento do PL que defendia apoio ao ex-presidenciável Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará. As declarações provocaram uma crise dentro da legenda, levando a direção nacional do partido a suspender qualquer entendimento do grupo liderado por André Fernandes com Ciro Gomes.
O episódio expôs as divisões internas do bolsonarismo no Ceará e ampliou os desgastes políticos em um momento já sensível para a família Bolsonaro e para o Partido Liberal em âmbito nacional.
