Escândalo em hospital: médico diz que “só Auschwitz” resolveria caso de paciente obeso

Um médico sênior do Hospital Estadual de Horn, na Baixa Áustria, foi dispensado após declarar, em uma reunião interna, que o “único tratamento” para um paciente com obesidade clínica seria “Auschwitz” — em alusão ao maior campo de concentração e extermínio dos judeus na época da Alemanha Nazista. A declaração provocou revolta entre os funcionários, resultou em denúncias anônimas e desencadeou uma investigação oficial. 

Ao dizer que “só Auschwitz” ajudaria no caso, o médico desencadeou um escândalo, mesmo que inicialmente tenha sido tratado como assunto interno, de acordo com a imprensa local. Membros da equipe relataram que o caso criou um ambiente de trabalho tóxico e que enfermeiros passaram a recusar acompanhar o médico nas rondas devido ao seu comportamento. 

A Agência Estadual de Saúde da Baixa Áustria confirmou a demissão após análise do caso. O porta-voz da entidade, Matthias Hofer, afirmou que o médico foi suspenso assim que a denúncia veio à tona e, após a investigação, teve seu contrato encerrado com efeito imediato. 

— Após o incidente vir à tona, a pessoa envolvida foi imediatamente suspensa de suas funções — afirmou o porta-voz. 

Ele também comenta que tais declarações contradizem diretamente os valores fundamentais de uma convivência em sociedade. E que, quanto a isso, devem ser condenadas de forma veemente e não podem ser toleradas de forma alguma, por ninguém.  

Denúncia detalhou ambiente tóxico 

A declaração do médico foi relatada em uma carta anônima enviada ao jornal “MeinBezirk”, descrevendo um ambiente hostil e alegando que a equipe de enfermagem evitava participar de rondas com o profissional. O texto afirmava que “esse comportamento é uma desgraça para o hospital de Horn e deve ter consequências imediatas”. 

O caso chegou à Câmara do Trabalho da Áustria, mas, segundo o representante Andreas Riedl, nenhuma queixa trabalhista havia sido formalizada. Ele classificou o episódio como profundamente preocupante. 

— Não recebemos nenhuma queixa trabalhista referente a este incidente, o que é, obviamente, ultrajante — comenta Riedl. 

Polícia não foi acionada 

Stefan Loidl, porta-voz da polícia da Baixa Áustria, declarou ao jornal “Heute” que não recebeu nenhuma denúncia ou pedido relacionado ao incidente.  

— Não temos informações sobre este caso até agora. Também não temos conhecimento de nenhuma acusação formalizada — afirmou o porta-voz ao Heute. 

Até agora, não há confirmação por parte das autoridades se o médico poderá enfrentar outras penalidades além da demissão. A Áustria possui leis severas contra qualquer tipo de apologia ao nazismo, abrangendo ideologia, símbolos e justificativas históricas.