Greve nacional em Portugal suspende voos e afeta brasileiros e cearenses com viagens para Lisboa e retorno ao Brasil

Passageira caminha em estação vazia em Lisboa em foto de arquivo — Foto: Gil Ribeiro/Unsplash/Divulgação

A maior greve nacional em Portugal em mais de uma década provocou, nesta quinta-feira, uma ampla paralisação dos transportes e serviços públicos, causando impactos diretos em brasileiros — inclusive cearenses — que estavam de malas prontas para embarcar rumo a Lisboa ou retornar ao Brasil.

A companhia aérea TAP cancelou cerca de dois terços de seus 250 voos habituais, entre eles ao menos seis ligações com cidades brasileiras, como São Paulo, Campinas e Fortaleza. Aeroportos e estações ficaram lotados e muitos passageiros foram pegos de surpresa.

MOBILIZAÇÃO SINDICAL

A mobilização sindical também atingiu o transporte ferroviário, deixando a principal estação de Lisboa praticamente vazia e com a maioria dos serviços suspensos. Hospitais interromperam atendimentos não urgentes, escolas reduziram ou cancelaram atividades, tribunais funcionaram de forma limitada e a coleta de lixo também parou.

A greve ocorre em reação às reformas trabalhistas propostas pelo governo minoritário de direita. Os sindicatos afirmam que as mudanças facilitam demissões, ampliam contratos temporários e endurecem regras para greves, configurando, segundo eles, um dos maiores retrocessos trabalhistas do país.

O primeiro-ministro Luís Montenegro defende que as mais de cem medidas visam estimular o crescimento econômico e melhorar salários.

CONFLITOS

As principais centrais sindicais — CGTP e UGT — criticam severamente o plano. Para o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, as propostas representam “um dos maiores ataques ao mundo do trabalho”, promovendo insegurança e facilitando demissões. Ele lembra que, de uma população ativa de cinco milhões, cerca de 1,3 milhão já vive em situação de trabalho precário.

Mesmo antes do início da paralisação, Oliveira afirmou que a greve já era “um sucesso”, por ter mobilizado a opinião pública. Pesquisa divulgada na imprensa portuguesa aponta 61% de apoio ao movimento. A oposição de esquerda acusa o governo de esconder da população seus planos de flexibilização trabalhista durante a campanha eleitoral.

IMPASSE


Apesar do crescimento econômico próximo a 2% e da taxa de desemprego historicamente baixa, de cerca de 6%, Montenegro insiste que o momento favorável é ideal para implementar reformas. Já entidades patronais, como a CIP, apoiam o debate e afirmam que a proposta do governo corrige distorções criadas por mudanças anteriores.

Enquanto o impasse político e social segue em Portugal, brasileiros — entre eles muitos cearenses — enfrentam longas horas de espera, voos remarcados e incertezas sobre o retorno ao país ou a chegada à capital portuguesa.