Ceará se destaca como polo digital estratégico da América Latina, aponta Banco Mundial

Fortaleza foi apontada pelo Banco Mundial como o principal hub de cabos submarinos da América Latina, conectando o Brasil aos Estados Unidos, Europa e África. A avaliação consta no estudo “Nordeste Digital: Fundamentos para a Elaboração de uma Estratégia de Transformação Regional”, que destaca o papel estratégico da capital cearense na infraestrutura global de dados.

De acordo com o relatório, o hub de cabos submarinos instalado em Fortaleza vai além de um avanço tecnológico e se consolida como um ativo estratégico para atração de investimentos. Com mais de US$ 2 bilhões em aportes privados já realizados, o Ceará desponta como destino competitivo para data centers, plataformas digitais globais e empresas que demandam baixa latência e alta segurança de conexão.

O Banco Mundial ressalta que a localização geográfica do Ceará permite rotas de tráfego de dados mais eficientes do que as tradicionalmente utilizadas no Sudeste do país, inserindo o Nordeste diretamente no circuito global de informações. Essa vantagem viabiliza operações de alta intensidade tecnológica, como computação em nuvem, jogos online, serviços de streaming, transações financeiras digitais e aplicações avançadas de inteligência artificial.

O estudo, elaborado por Raimundo Nogueira da Costa Filho, Luciano Charlita de Freitas, Julian Najles e Luís Alberto Andrés para o Consórcio Nordeste, também destaca o protagonismo do Cinturão Digital do Ceará (CDC), operado pela Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), como elemento central da transformação digital regional.

Além da conectividade internacional, o relatório enfatiza o avanço da interiorização da infraestrutura digital no estado, com a expansão de milhares de quilômetros de fibra óptica para municípios de médio e pequeno porte e áreas rurais. Essa ampliação permite a oferta de serviços antes restritos aos grandes centros, como telemedicina em tempo real, ensino a distância de alta qualidade e soluções avançadas de governança digital.

Segundo o Banco Mundial, iniciativas semelhantes em estados como Bahia e Pernambuco complementam esse movimento, garantindo que os benefícios da conectividade global cheguem a escolas, unidades de saúde, polos industriais, universidades e comunidades mais afastadas dos grandes centros urbanos. Essa capilaridade, conforme o relatório, transforma a digitalização em um vetor econômico, social e territorial, contribuindo para a redução de desigualdades históricas no acesso à informação e estimulando a inovação local.

Outro fator determinante da competitividade cearense apontado pelo estudo é a forte presença de energia renovável. A abundância de fontes limpas tem impulsionado a instalação de data centers sustentáveis, despertando o interesse de grandes empresas globais como AWS, Microsoft e Google. Entre os diferenciais citados estão a oferta de energia renovável a baixo custo e com alta previsibilidade, a proximidade com os cabos submarinos e condições climáticas favoráveis à adoção de sistemas de refrigeração mais eficientes, que reduzem os custos operacionais.

O Banco Mundial destaca ainda iniciativas pioneiras no estado, como a integração de energia solar aos sistemas de resfriamento de data centers, posicionando o Ceará não apenas como receptor de tecnologia, mas como referência na criação de modelos sustentáveis com potencial de replicação global. A região concentra a maior capacidade eólica e solar do Brasil, com índices superiores à média mundial, o que torna a energia limpa um fator decisivo para a atração de investimentos de longo prazo.

Visita do Banco Mundial ao Ceará

Um dos autores do estudo, Luciano Charlita de Freitas, especialista sênior em Desenvolvimento Digital do Banco Mundial, esteve recentemente na sede da Etice, em Fortaleza, acompanhado do presidente da empresa, Hugo Figueirêdo. O encontro tratou da agenda de uma visita prevista para 2026 da diretora global de Transformação Digital do Banco Mundial, Christine Zhenwei Quiang.

O interesse foi manifestado após encontro entre Christine Quiang e a direção da Etice durante o Powering Data Centers Workshop, realizado em novembro deste ano na Cidade do Cabo, na África do Sul, evento promovido com apoio do Banco Mundial. A visita deverá aprofundar o diálogo sobre a atração de data centers e o papel do Ceará na economia digital sustentável.

O relatório conclui que a combinação entre conectividade internacional, matriz energética limpa e infraestrutura tecnológica posiciona o Nordeste — com Fortaleza à frente — não apenas como produtor de energia, mas como exportador de serviços digitais de baixa pegada de carbono. Especialistas avaliam que esse cenário pode gerar milhares de empregos qualificados e consolidar o Ceará como liderança na economia digital sustentável da América Latina.

Com informações do Governo do Estado do Ceará