A morte de uma mãe e sua filha adolescente após a ceia de Natal na cidade de Pietracatella, no sul da Itália, pode estar relacionada ao consumo de um cogumelo altamente tóxico. A informação foi confirmada pela polícia local, que conduz a investigação do caso.
As vítimas são Antonella di Ielsi, de 50 anos, e a filha, Sara, de 15. Ambas passaram mal no dia de Natal, apresentando vômitos intensos e fortes cólicas estomacais, o que as levou a procurar atendimento médico em um pronto-socorro da região.
De acordo com a imprensa italiana, mãe e filha teriam sido dispensadas duas vezes antes de serem internadas. O quadro de Sara se agravou rapidamente, e ela foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Cardarelli, em Campobasso, onde morreu ainda na noite de Natal. Antonella faleceu no dia seguinte, poucas horas depois da filha.
Segundo boletim médico divulgado pelas autoridades, as pacientes sofreram insuficiência hepática grave, seguida por uma rápida sucessão de complicações que culminaram em falência múltipla de órgãos.
Durante as investigações, policiais apreenderam diversos alimentos e restos de comida na residência da família, com atenção especial a um pote de cogumelos. Exames descartaram, inicialmente, a hipótese de botulismo e também a contaminação por veneno para ratos utilizado no controle de pragas em um celeiro da propriedade.
A principal suspeita agora é a presença do cogumelo Amanita phalloides, conhecido como “chapéu-da-morte”, em um dos potes analisados. Ainda não está claro se a contaminação ocorreu de forma acidental ou intencional.
Considerado um dos cogumelos mais perigosos do mundo, o Amanita phalloides pode causar a morte mesmo em pequenas quantidades. Ele é frequentemente confundido com espécies comestíveis e responde por cerca de 90% dos casos fatais de envenenamento por cogumelos registrados anualmente. Os sintomas costumam surgir entre 12 e 48 horas após a ingestão, o que dificulta o diagnóstico precoce.
As autoridades também tentam esclarecer se o consumo dos cogumelos ocorreu durante a ceia de Natal, que reuniu vários familiares, ou em um jantar realizado no dia anterior. Nenhum outro parente apresentou sintomas de intoxicação.
Paralelamente, cinco médicos que atenderam Antonella e Sara estão sendo investigados por homicídio culposo e negligência, em razão das recusas iniciais de atendimento e da rápida evolução do quadro clínico das pacientes.
