A frota de motocicletas no Brasil disparou e alcançou, em 2025, a marca de 37 milhões de unidades. No Ceará, já são pelo menos 1,7 milhão de veículos desse tipo circulando nas ruas e estradas.
A busca por deslocamentos mais rápidos, a deficiência do transporte coletivo, a expansão dos serviços de entrega e o crescente interesse de jovens e mulheres impulsionaram um salto histórico no setor.
RECORDE
O resultado foi um recorde inédito: pela primeira vez, as vendas de motocicletas superaram as de automóveis no país. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo), 2,1 milhões de motos foram comercializadas no ano passado. No mesmo período, as vendas de carros somaram 1,2 milhão de unidades, conforme dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
Os números são de otimismo para a indústria: em apenas quatro anos, o mercado praticamente dobrou. Em 2021, foram 1,1 milhão de motocicletas emplacadas; em 2025, esse número saltou para 2,1 milhões.
Os modelos de baixa cilindrada lideraram a produção e responderam por 77% do total fabricado no Brasil, de acordo com a Abraciclo.
JOVENS E MULHERES
O perfil dos motociclistas também mudou. O número de mulheres habilitadas na categoria não para de crescer: em março do ano passado, 10 milhões já possuíam CNH para moto, um aumento de 66% em dez anos — eram cerca de 6 milhões em 2016, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Entre os jovens, a motocicleta também ganhou espaço como meio principal de transporte.
Para o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, o fenômeno reflete uma mudança estrutural no padrão de mobilidade. “Além da expansão dos serviços de entrega, o crescimento das vendas de motocicletas se deve à entrada de novos perfis de consumidores, especialmente mulheres e jovens, e à adoção da moto como segundo veículo pelas famílias, pela praticidade e pelo menor custo de utilização”, afirma.
NOVA REALIDADE
O avanço das motocicletas consolida uma nova realidade nas cidades brasileiras, onde o transporte sobre duas rodas passa a ocupar papel central na mobilidade urbana e na economia de serviços.
Em Fortaleza, por exemplo, as faixas exclusivas para motociclistas começam a ser testadas como uma medida para diminuir acidentes com esse tipo de veículo.
