A não monogamia tem ganhado espaço no Brasil e deixado de ser um tabu em diferentes círculos sociais. Pesquisas recentes indicam que mais de 50% dos brasileiros já vivenciaram algum tipo de relacionamento não convencional ao longo da vida. Apesar do aumento no interesse por relações abertas, swing e poliamor, muitos casais acabam retornando ao modelo tradicional após um período de experimentação.
De acordo com Justin R. Garcia, diretor executivo do Instituto Kinsey, o interesse por formas consensuais de não monogamia cresceu desde meados dos anos 2000. Em entrevista ao Business Insider, o especialista apontou que, embora a curiosidade tenha aumentado, muitas pessoas percebem rapidamente que esse modelo não se encaixa em suas expectativas ou necessidades emocionais.
Desafios emocionais e biológicos
Segundo Garcia, a primeira razão para o retorno à monogamia é direta: a maioria das pessoas não estaria biologicamente preparada para amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Ele ressalta que, além da dimensão biológica, o envolvimento emocional exigido em múltiplos vínculos pode ser intenso e desgastante.
Relacionamentos abertos demandam mais tempo, energia e organização. Manter diferentes parceiros satisfeitos envolve disponibilidade constante e, principalmente, diálogo frequente.
Comunicação e negociações constantes
A segunda razão apontada pelo pesquisador está ligada à complexidade da comunicação. Para que todos os envolvidos se sintam respeitados e ouvidos, surgem questionamentos recorrentes: quem precisa de mais atenção? Quem se sente negligenciado? Como equilibrar tempo, afeto e expectativas?
“Até mesmo encontros poliamorosos casuais exigem esforço e negociação consideráveis”, destaca Garcia. As conversas sobre limites, ciúmes, frequência de contato e prioridades tornam-se parte central da dinâmica do relacionamento.
Problemas ampliados, não resolvidos
Por fim, muitos casais optam por abrir o relacionamento acreditando que a exploração sexual poderá solucionar conflitos já existentes. No entanto, segundo o especialista, o resultado costuma ser o oposto.
Questões comuns em relações monogâmicas — como diferenças de libido, ciúme, tédio ou insegurança — também aparecem em arranjos não monogâmicos e podem até se intensificar.
Apesar disso, Garcia pondera que a não monogamia consensual funciona para diversas pessoas. Para alguns, diferentes formatos de relacionamento oferecem liberdade, satisfação e estabilidade.
Embora não seja um modelo ideal para todos, a tendência mostra que o debate sobre novas formas de amar está cada vez mais presente na sociedade brasileira, refletindo mudanças culturais, comportamentais e geracionais.
