Uso da tecnologia contribui para abuso sexual de 3 milhões de adolescentes no país, diz UNICEF

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Em apenas um ano, um em cada cinco adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos foi vítima de exploração e/ou abuso sexual facilitados pelo uso de tecnologias digitais. O dado, equivalente a cerca de 3 milhões de meninas e meninos, faz parte do relatório Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia.

A pesquisa reúne evidências sobre como ferramentas digitais, como redes sociais, jogos online e aplicativos de mensagens, estão sendo usadoa para facilitar crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes.

VIOLÊNCIA SEXUAL FACILITADA

A violência sexual “facilitada” pela tecnologia ocorre quando dispositivos ou plataformas digitais são utilizados em alguma etapa do abuso ou da exploração. Isso pode acontecer desde o aliciamento e a extorsão da vítima até a produção, armazenamento ou disseminação de material de abuso sexual infantil. Em muitos casos, o crime ocorre totalmente no ambiente virtual. Em outros, envolve interações online que levam a encontros presenciais ou ainda situações físicas registradas e compartilhadas por meio da tecnologia.

Entre as situações mais recorrentes identificadas pela pesquisa, a exposição a conteúdo sexual não solicitado aparece como a forma mais comum de violência, atingindo 14% das crianças e adolescentes entrevistados. Em quase metade dos casos (49%), o agressor era alguém conhecido da vítima.

Outro dado preocupante é o silêncio que cerca esses episódios: 34% das crianças e adolescentes que sofreram violência sexual facilitada pela tecnologia não contaram o ocorrido a ninguém.

CANAIS DIGITAIS

O levantamento mostra que, em 66% dos relatos, a violência ocorreu por meio de canais digitais. Entre eles, redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas aparecem em 64% dos casos, enquanto jogos online correspondem a 12% das ocorrências.

Entre as plataformas mais citadas pelas vítimas, Instagram (59%) e WhatsApp (51%) aparecem com destaque como ferramentas utilizadas pelos agressores para se aproximar ou interagir com crianças e adolescentes.

Em 26% das situações, o agressor era uma pessoa desconhecida. Já 25% das vítimas não conseguiram ou não quiseram identificar quem cometeu o crime, o que evidencia as dificuldades de denúncia, especialmente quando há anonimato nas interações digitais.

OFERTA DE DINHEIRO

A pesquisa também identificou situações em que criminosos se aproveitam de dificuldades econômicas enfrentadas por famílias.

Em apenas um ano, 5% das crianças relataram ter recebido ofertas de dinheiro ou presentes em troca do envio de fotos ou vídeos de conteúdo sexual, enquanto 3% disseram ter recebido propostas semelhantes para encontros presenciais com finalidade sexual.

O estudo foi baseado em 1.029 entrevistas com crianças e adolescentes de 12 a 17 anos e 1.029 entrevistas com pais ou responsáveis, realizadas em visitas domiciliares entre novembro de 2024 e março de 2025.

Informações – Correio Braziliense