A deputada federal Erika Hilton protocolou um pedido de investigação no Ministério Público Federal contra Ratinho e o SBT. O apresentador usou o programa dele ao vivo na última quarta-feira, dia 11, para criticar a escolha de Erika como presidente da Comissão da Mulher.
Enquanto comentava a escolha dos parlamentares, o apresentador questionou o fato de a comissão ser liderada por uma mulher trans e citou diretamente a identidade de gênero da deputada. Em um dos trechos que mais repercutiram, ele declarou: “Ela não é mulher, ela é trans”.
Na sequência, Ratinho afirmou que, em sua opinião, o cargo deveria ser ocupado por uma mulher cisgênero. “Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Eu não achei muito justo, não. Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans?”, disse.
Logo depois, reforçou sua visão sobre o tema: “Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo… Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente”.
O apresentador também fez outra afirmação que gerou críticas entre os espectadores. “Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, comentou durante a atração.
ACUSAÇÃO DE TRANSFOBIA
Em postagem no instagram, a deputada comentou sobre a fala de Ratinho e o processo que ela aplicou ao apresentador.
“Sim, estou processando o apresentador Ratinho. Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência. Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim. Ratinho interrompeu seu programa pra dizer que mulheres trans não são mulheres, que mulheres que não menstruam não são mulheres, que mulheres que não têm útero não são mulheres e que mulheres que não têm filhos não são mulheres”, disse Erika Hilton, no Instagram.
A parlamentar compartilhou ainda uma notícia da “Folha de São Paulo” que confirma o pedido dela por uma ação civil pública com indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos causados à população trans e travesti.
“O discurso de Ratinho foi, sim, para me atacar e atacar pessoas trans. Mas demonstrou a misoginia, o ódio primal que essa figura nojenta tem de toda e qualquer mulher que não siga o roteiro que ele considera certo. E, para ele, mulheres são máquinas de reprodução. Eu quase me surpreendi ao assistir a um raciocínio tão retrógrado”.
Até o momento Ratinho e SBT ainda não se pronunciaram sobre o caso.
