As investigações da Polícia Federal sobre o maior escândalo da história da Previdência Social brasileira revelaram mensagens, planilhas e gravações que mostram como funcionava o suposto esquema de desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A suplente de deputada federal no exercício do mandato, Gorete Pereira (MDB), está no centro das apurações do maior escândalo da previdência social brasileira.
O caso ganhou destaque no noticiário nacional após a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta terça-feira (17), que investiga descontos indevidos realizados por entidades sindicais e associativas nos benefícios de aposentados e pensionistas.
COMISSÃO BSB
De acordo com a Polícia Federal, documentos e conversas interceptadas mostram como os recursos eram desviados e distribuídos entre os envolvidos.
Entre os registros analisados pelos investigadores aparecem menções diretas à deputada Gorete Pereira, além de referências a pagamentos a servidores públicos identificados como “comissão Brasília (BSB)” e conversas sobre a compra de um jatinho com recursos do esquema.
Segundo a PF, em uma das mensagens interceptadas, o empresário Natjo de Lima Pinheiro reclama da falta de dinheiro e afirma que a parlamentar queria assumir parte majoritária de uma das entidades investigadas.
“Estou ficando sem grana. A Gorete quer ficar com 70% da entidade”, diz a mensagem atribuída ao empresário.
Em outra conversa, Natjo afirma que seria “mais legítimo” repassar recursos à deputada por meio de escritórios de advocacia, como forma de “preservar as coisas”, segundo os investigadores.
PEDIDO DE PRISÃO RECUSADO
A deputada Gorete Pereira foi alvo de mandados de busca e apreensão. A Polícia Federal chegou a pedir sua prisão preventiva, mas o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu impor uma medida cautelar mais branda, determinando o uso de tornozeleira eletrônica.
O ministro autorizou, ainda, a prisão preventiva da advogada Cecília Rodrigues Mota e do empresário Natjo Pinheiro, apontados pelas investigações como responsáveis por operacionalizar o esquema e prestar contas à parlamentar. Os mandados foram cumpridos no Ceará, onde os investigados residem.
AVIÃO NA AGENDA DE COMPRAS
Segundo a Polícia Federal, a aquisição de bens de alto valor, como uma aeronave e um veículo BMW X6, reforça os indícios de participação do empresário no esquema.
Já a advogada Cecília Rodrigues foi flagrada em mensagens nas quais menciona a intenção de adquirir um jatinho, o que, segundo a PF, indica envolvimento direto no fluxo financeiro proveniente dos descontos fraudulentos.
‘’BORA COMPRAR UM JATINHO’'
“Deixa de fazer corpo mole. Vai atrás desse negócio, bora comprar um jatinho. O Natjo já vai comprar um jato. Vambora entrar na fila? Vamos ver se consegue aí o negócio, rapaz, pra gente?”, diz a mensagem interceptada.
A Polícia Federal, na representação enviada ao STF, afirma haver “indícios suficientes de autoria” contra os três investigados, apontando participação em assinatura de termos associativos falsos, coordenação de pagamentos ilícitos, recebimento pessoal de valores e lavagem de dinheiro.
ESCÂNDALO COM MAIORES PROPORÇÕES
As investigações também indicam que a deputada atuava como articuladora política junto a órgãos públicos, recebendo recursos por meio de empresas de fachada e intermediários. Segundo a PF, ela teria pressionado servidores do INSS e da Dataprev para acelerar o credenciamento de entidades associativas ligadas ao grupo investigado.
Já Cecília Rodrigues e Natjo Pinheiro estariam por trás de associações que firmaram acordos fraudulentos com o INSS, permitindo a realização de descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas. De acordo com os investigadores, os diretores dessas entidades atuavam como “laranjas” no esquema.
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