A união entre Judiciário e Legislativo para sepultar a CPMI do INSS aprofunda a revolta de aposentados, pensionistas e de milhões de trabalhadores que, com suor e lágrimas, mantêm a Previdência Social de pé. Em vez de abrir caminho para uma investigação ampla sobre um dos maiores escândalos da história recente do sistema previdenciário, as instituições ajudam a empurrar para o mato a apuração de um esquema que desviou R$ 6,3 bilhões e atingiu 5 milhões de aposentados e pensionistas em todo o País.
O sentimento é de frustração, indignação e vergonha. A decisão elimina a oportunidade de o Brasil passar a limpo a Previdência Social e de descobrir com quem ficou parte do dinheiro roubado de beneficiários que dependem do INSS para sobreviver. Ao mesmo tempo, destrói a esperança de quem sonha com uma Previdência mais ágil, mais eficiente e mais humana na concessão de auxílios e aposentadorias.
O prejuízo social é ainda maior porque o escândalo ganha dimensão ainda mais cruel em um cenário de sofrimento para a população. Hoje, cerca de 3 milhões de brasileiros enfrentam demora, incerteza e angústia nas filas do INSS, aguardando uma resposta para pedidos de benefícios. Enquanto isso, a falta de transparência e de responsabilização aprofunda a sensação de abandono e impunidade.
Ao sepultar a CPMI, Judiciário e Legislativo negam ao povo brasileiro o direito de conhecer toda a extensão de um escândalo bilionário que sangrou os cofres da Previdência e atingiu em cheio cidadãos que trabalharam a vida inteira e esperam apenas respeito, proteção e dignidade. É um episódio triste, vergonhoso e profundamente frustrante para o Brasil.
