Levantamento aponta maior confiança em conteúdos de familiares do que em notícias jornalísticas

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A relação dos brasileiros com a informação vive uma mudança profunda, marcada pela perda de confiança no jornalismo, pela centralidade das plataformas digitais e pela redução do hábito de checar conteúdos. Dados recentes indicam que 48% dos usuários de internet no país desconfiam sempre ou na maioria das vezes de notícias produzidas por veículos jornalísticos, superando o nível de desconfiança em relação a conteúdos recebidos de amigos, familiares ou aplicativos de mensagens.

Pela primeira vez, o painel TIC investigou práticas de acesso, consumo e verificação de informações no Brasil. O estudo mostra que apenas 36% dos internautas dizem checar sempre a veracidade do que recebem em redes sociais ou aplicativos de mensagem, enquanto 28% fazem isso na maioria das vezes. Em contrapartida, 14% afirmam verificar poucas vezes ou nunca, revelando um ambiente de circulação de conteúdos com baixa conferência.

CONFIANÇA NOS APLICATIVOS

Aplicativos de mensagens lideram, com 60% dos usuários se informando diariamente por essas plataformas. Em seguida, aparecem os feeds de vídeos curtos, como TikTok, com 52%, e sites ou aplicativos de vídeo, com 50%. Esses índices superam os de meios tradicionais, como telejornais (45%), portais de notícias e podcasts (37%), canais de notícias 24 horas (34%), rádio (28%), jornais (26%) e revistas (22%).

QUEDA DE INFORMAÇÃO ENTRE OS JOVENS

O estudo também evidencia diferenças geracionais no consumo de notícias. Embora 65% da população afirmem se informar diariamente, entre jovens de 16 a 24 anos o índice cai para 46%. O dado está associado ao fenômeno conhecido como “news avoidance”, caracterizado pela evitação do noticiário diante da saturação de conteúdos negativos e da falta de identificação com formatos tradicionais.

A faixa etária de 45 a 59 anos apresenta o maior índice de consumo diário, com 79%, indicando que o afastamento do jornalismo é mais acentuado entre os mais jovens. Para especialistas, há uma desconexão entre a linguagem dos veículos tradicionais e o formato dinâmico predominante nas redes.