O câncer de testículo é o segundo tumor mais incidente no mundo entre homens de 20 a 39 anos, com 38.665 novos casos registrados em 2022, ficando atrás apenas do câncer de tireoide, que somou 61.961 diagnósticos nessa faixa etária. Os dados da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer da Organização Mundial da Saúde mostram ainda que o tumor supera outros tipos relevantes entre jovens adultos, como colorretal, leucemias e linfomas, consolidando-se como uma das principais neoplasias nesse grupo populacional.
Apesar da alta incidência relativa, a mortalidade global permanece baixa. Estima-se que cerca de 3,5 mil homens de 20 a 39 anos tenham morrido pela doença no mundo em 2022, número significativamente inferior ao observado em tumores como leucemias, fígado e sistema nervoso central, que lideram os óbitos nessa faixa etária. Esse contraste reflete o alto potencial de cura do câncer de testículo, especialmente quando diagnosticado precocemente.
No Brasil, os dados mais recentes reforçam o impacto concentrado da doença entre homens jovens. Em 2024, foram registradas 527 mortes por câncer de testículo, das quais 61,67% ocorreram entre homens de 20 a 39 anos e 76,66% até os 49 anos, segundo levantamento baseado no Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. A distribuição etária mostra que a maior concentração de óbitos está entre 20 e 29 anos, com 190 mortes, seguida pela faixa de 30 a 39 anos, com 135 registros. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, foram contabilizados 21 óbitos, enquanto acima dos 50 anos o total soma 100 mortes, o equivalente a 18,98% dos casos.
Diagnóstico, tratamento e sinais de alerta
A identificação precoce continua sendo o principal fator associado aos altos índices de cura. Alterações como nódulo endurecido e geralmente indolor no testículo, mudanças na consistência, sensação de peso no escroto, dor na região abdominal ou na virilha e desconforto local estão entre os sinais mais frequentes. Em alguns casos, podem surgir manifestações hormonais, como aumento das mamas, além de dor lombar.
O diagnóstico envolve exames clínicos, exames de imagem e análise de marcadores tumorais. Um dos desafios ainda presentes é a interpretação equivocada desses sinais, frequentemente atribuídos a traumas ou infecções, o que pode retardar a busca por avaliação especializada.
O tratamento é definido de forma individualizada. A orquiectomia, cirurgia para retirada do testículo afetado, é a principal abordagem inicial e tem papel tanto terapêutico quanto diagnóstico. Nos seminomas em estágios iniciais, pode ser suficiente, embora radioterapia ou quimioterapia possam ser indicadas conforme o risco de recorrência. Já nos tumores não seminomatosos, a quimioterapia é mais frequentemente utilizada, sobretudo em doença avançada.
