Pesquisa identifica suplementos que podem reduzir fadiga e acelerar recuperação em atletas

Cafeína, creatina, nitratos e bebidas com eletrólitos estão entre os suplementos com maior respaldo científico para melhorar o desempenho de ciclistas, segundo revisão conduzida pela Universidade de Flinders, na Austrália. Publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition, o estudo analisou compostos usados por atletas de alto rendimento e buscou identificar quais, de fato, apresentam evidências consistentes para reduzir fadiga, otimizar o uso de energia e acelerar a recuperação.

Entre os chamados recursos ergogênicos — substâncias que favorecem o desempenho físico —, os pesquisadores destacam ainda carboidratos presentes em géis esportivos, bicarbonato de sódio e nitratos encontrados em vegetais e sucos, como os de beterraba. De acordo com o estudo, esses compostos atuam em mecanismos ligados à produção e ao aproveitamento de energia pelo organismo, com impacto em esforços de resistência e intensidade.

A revisão também identificou possíveis benefícios em outros suplementos voltados à recuperação. Substâncias como ômega-3, colágeno, cúrcuma, probióticos, vitamina C e até suco de cereja e de picles aparecem associadas, em diferentes níveis de evidência, ao controle inflamatório, suporte muscular, saúde óssea e reparação dos tecidos.

Segundo os autores, porém, o uso desses produtos não deve ser generalizado. A pesquisa ressalta que os resultados se referem principalmente a atletas de elite, acompanhados por equipes multiprofissionais, e que estratégias de suplementação precisam considerar fatores individuais, como carga de treino, idade, condições climáticas, estado nutricional e histórico de saúde.

Especialistas também alertam que dose, momento de consumo e qualidade dos suplementos influenciam diretamente os resultados. Sem orientação adequada, o uso pode ser ineficaz — ou até trazer riscos.

Outro ponto destacado no estudo é a necessidade de atenção às regras antidoping. Os pesquisadores lembram que atletas são responsáveis por qualquer substância presente no organismo, inclusive em suplementos contaminados ou mal certificados.

A conclusão da revisão é que, embora alguns compostos tenham evidências robustas para desempenho e recuperação, a suplementação só tende a funcionar quando integrada a treino, alimentação e acompanhamento individualizado.