Segundo dados do Ministério da Saúde e do INCA, cerca de 80% dos casos de câncer de cabeça, pescoço e garganta são diagnosticados em estágios avançados, o que dificulta o tratamento e reduz as chances de cura. Desse total, aproximadamente 15 mil casos atingem a cavidade oral, cerca de 8 mil são de câncer de laringe e mais de 16 mil envolvem outras regiões da cabeça e do pescoço.
A doença já é considerada a terceira mais incidente no Brasil. Tabagismo, consumo excessivo de álcool e infecção pelo HPV estão entre os principais fatores de risco. Rouquidão persistente, feridas na boca que não cicatrizam, dificuldade para engolir e nódulos no pescoço são sinais de alerta que não devem ser ignorados.
Em entrevista ao Jornal Alerta Geral, o médico oncologista Dr. Erick Siqueira explicou que esse tipo de câncer tem origem multifatorial.
“O câncer normalmente tem uma causa multifatorial. Existem tumores com origem mais genética, em que a exposição ambiental não é um fator determinante. Isso costuma ocorrer em casos mais precoces, inclusive em crianças. Já os tumores de cabeça e pescoço, na grande maioria, estão relacionados a agressões ao longo do tempo, principalmente pelo cigarro e pelo álcool, que provocam alterações no DNA das células”, explicou o oncologista.
ACÚMULO DE PREJUÍZOS
Segundo o Dr. Erick Siqueira, o cigarro e o consumo excessivo de álcool, isoladamente, já aumentam consideravelmente o risco de câncer. No entanto, a combinação dos dois fatores pode elevar esse risco em mais de 20 vezes.
“Quando o tabaco é o único fator, o risco já é muito elevado. Mas, quando se associa álcool e cigarro, o aumento do risco de transformação tumoral ou formação de um tumor é mais de 20 vezes maior”, alertou.
Os casos relacionados ao HPV, principalmente entre pessoas mais jovens, também têm preocupado especialistas e órgãos de saúde. De acordo com o médico, o vírus vem mudando o perfil epidemiológico da doença.
“Hoje observamos muito a questão do HPV, que tem levado o câncer a aparecer mais cedo, em pessoas jovens expostas ao vírus. Em alguns centros, o HPV já apresenta prevalência maior do que o cigarro como causa dos cânceres de orofaringe e amígdala”, destacou o médico.
TRATAMENTO PRECOCE
O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura e permite tratamentos mais eficazes. No caso do câncer de cabeça e pescoço, o autoexame e a atenção aos sintomas são fundamentais.
“A pessoa precisa observar sinais como dor ao engolir, rouquidão persistente, feridas na língua ou no céu da boca que não cicatrizam, além de caroços no pescoço. Ao perceber qualquer alteração, é importante procurar atendimento imediatamente. Não se pode esperar a doença avançar, porque, quando descoberta precocemente, as chances de cura são muito grandes”, reforçou o Dr. Erick.
TRATAMENTO NO CEARÁ
Moradores do interior do Ceará não precisam mais se deslocar até Fortaleza para realizar o tratamento de câncer de cabeça, pescoço e garganta. Regiões como Vale do Jaguaribe, Sobral e Juazeiro já contam com atendimento especializado.
“A gente tem observado uma descentralização do tratamento oncológico. Hoje, muitos centros fora de Fortaleza já oferecem atendimento pelo SUS, e isso vem se expandindo cada vez mais. Além de Sobral e Juazeiro, municípios menores também estão estruturando planos de ação para garantir diagnóstico e tratamento mais próximos da população”, explicou o oncologista.
Assista a entrevista na íntegra:
