Uma nova onda global de combate ao tabagismo começa a ganhar força a partir da Europa. O Reino Unido aprovou uma das legislações mais rígidas do mundo, proibindo a venda de cigarros e dispositivos eletrônicos para pessoas nascidas a partir de 2009, em uma estratégia que pretende criar a primeira geração livre do fumo.
A medida estabelece um aumento progressivo da idade mínima para compra de produtos derivados do tabaco, com o objetivo de impedir que jovens tenham acesso legal ao cigarro ao longo da vida. A iniciativa segue diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que classifica o tabagismo como uma das principais causas evitáveis de morte no mundo.
Segundo a OMS, o cigarro está associado a mais de 8 milhões de mortes por ano, incluindo cerca de 1,3 milhão de não fumantes vítimas do fumo passivo.
O endurecimento das regras ocorre em um momento de alerta em países que vinham conseguindo reduzir o número de fumantes, como o Brasil. Dados do Vigitel mostram que, após anos de queda, o índice voltou a subir: em 2024, 11,6% da população adulta declarou fumar, contra 9,3% no ano anterior — um aumento de 25%.
Outro fator de preocupação é o avanço dos cigarros eletrônicos entre jovens. Levantamento da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar aponta que a experimentação desses dispositivos entre adolescentes de 13 a 17 anos saltou de 16,8% para 29,6%.
No Brasil, os dispositivos eletrônicos seguem proibidos desde 2009, por decisão da Anvisa, que em 2024 reforçou as restrições, ampliando o controle sobre fabricação, comercialização e transporte.
A iniciativa britânica pode servir de modelo para outros países e marca um novo capítulo na luta global contra o tabagismo, com foco nas novas gerações e no enfrentamento de hábitos que voltam a crescer, especialmente entre os mais jovens.
