O custo da cesta básica voltou a pesar no bolso dos moradores de Fortaleza e registrou uma das maiores altas do País no mês de abril. Dados divulgados nesta segunda-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que a Capital cearense teve um aumento de 5,46% no valor dos alimentos essenciais, ficando atrás apenas de Porto Velho (5,60%) entre as 27 capitais pesquisadas.
O levantamento aponta que a elevação dos preços em Fortaleza acompanha um movimento nacional de encarecimento dos alimentos básicos, já que todas as capitais brasileiras registraram alta no período. Entre os produtos que mais pressionaram o orçamento das famílias fortalezenses está o tomate, que disparou 25,58%, a maior variação do País para o item.
Além do tomate, outros produtos essenciais também ficaram mais caros em abril, como leite integral, batata e feijão. Segundo o Dieese, fatores como redução da oferta agrícola, entressafra e aumento da demanda contribuíram para o avanço dos preços em diversas regiões do Brasil.
O impacto é sentido diretamente no orçamento das famílias da Capital, especialmente entre os trabalhadores que recebem salário mínimo. Em todo o País, o Dieese calcula que um trabalhador precisou comprometer, em média, 49,57% do salário líquido apenas para adquirir os produtos da cesta básica. O tempo médio de trabalho necessário para garantir os alimentos chegou a 100 horas e 52 minutos.
O estudo também mostra que o salário mínimo ideal para suprir as despesas básicas de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.612,49 — cerca de 4,7 vezes o valor atual do piso nacional, fixado em R$ 1.621.
Embora Fortaleza tenha registrado uma das maiores altas mensais, São Paulo segue com a cesta básica mais cara do País, custando em média R$ 906,14. Já os menores valores foram registrados em Aracaju, São Luís e Maceió.
O cenário reforça a pressão inflacionária sobre os alimentos e aumenta a preocupação das famílias cearenses com os gastos domésticos, principalmente diante da sequência de reajustes observados nos primeiros meses de 2026.
