O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deu, nesta terça-feira (12), um claro sinal de descontentamento com o Governo Federal ao não comparecer à solenidade comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de lançamento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, no Palácio do Planalto.
Mesmo convidado oficialmente pelo Governo, Alcolumbre não participou do evento, realizado em meio ao agravamento da crise política entre o senador e o Palácio do Planalto após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A ausência foi interpretada nos bastidores políticos como mais um gesto de distanciamento entre o presidente do Senado e o Governo Lula.
Enquanto Alcolumbre ficou fora da solenidade, o presidente da Câmara Federal, Hugo Motta (Republicanos-PB), participou do evento, discursou e circulou ao lado de Lula, movimento visto por aliados do Governo como tentativa de preservar a relação institucional entre o Executivo e a Câmara dos Deputados.
Apesar da ausência no Planalto, a expectativa é de que Alcolumbre encontre Lula ainda nesta terça-feira durante a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A assessoria de Davi Alcolumbre informou apenas que o senador cumpria “agenda institucional da Presidência do Senado” durante a manhã e que seguiria para a sessão plenária da Casa, sem detalhar quais compromissos impediram sua presença no evento do Governo Federal.
Nos bastidores do Congresso Nacional, porém, a ausência foi interpretada como reflexo direto do desgaste provocado pela disputa em torno da vaga aberta no Supremo Tribunal Federal.
Segundo relatos de senadores, Alcolumbre atuou diretamente contra a indicação de Jorge Messias ao STF e defendia, reservadamente, o nome do senador Rodrigo Pacheco para ocupar a vaga na Corte.
A derrota da indicação apoiada pelo Palácio do Planalto passou a ser vista dentro do Congresso como demonstração de força política de Alcolumbre diante do Governo Federal.
A ausência de Alcolumbre aumentou a tensão política entre Senado e Planalto justamente no momento em que o Governo Lula precisa avançar com pautas estratégicas no Congresso Nacional, entre elas a PEC da Segurança Pública e projetos ligados à área econômica e institucional.
