Pesquisa expõe avanço da compra de votos em meio à liberação de emendas parlamentares e acende alerta sobre corrupção eleitoral no Brasil

A corrida pré-eleitoral, marcada pelo avanço na liberação de recursos de emendas parlamentares, desperta atenção dos órgãos de fiscalização sobre a correta aplicação das verbas oriundas do Orçamento da União e destinadas aos Municípios.

O ministro do STF, Flávio Dino, adotou novas medidas para maior transparência na aplicação desses recursos, enquanto entidades que combatem à corrupção se mobilizam para a campanha eleitoral de 2026 não ser contaminada pela compra de votos.

COMPRA DE VOTOS

É, nesse cenário, que uma pesquisa divulgada pelo Instituto Ipsos-Ipec revelou um cenário preocupante sobre a relação entre eleitores e políticos no Brasil e reforçou o alerta de entidades de combate à corrupção: o ciclo do desvio de dinheiro público muitas vezes começa ainda durante as campanhas eleitorais, com a prática da compra de votos.

O repórter Carlos Silva conta, no Jornal Alerta Geral, que, de acordo com a pesquisa, 22% dos brasileiros afirmam já ter recebido algum tipo de oferta para vender o voto em eleições anteriores — o equivalente a um em cada cinco eleitores entrevistados.


VOTO NÃO TEM PREÇO

A pesquisa foi encomendada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), responsável pela campanha “Voto não tem preço, tem consequências”, criada para conscientizar a população sobre os impactos da corrupção eleitoral.

Os dados apontam que as disputas municipais concentram a maior parte das denúncias de tentativa de cooptação de eleitores.

Entre os entrevistados que disseram já ter sido abordados:

  • 59% citaram candidatos a vereador ou cabos eleitorais ligados às campanhas proporcionais;
  • 43% mencionaram candidatos a prefeito.

O levantamento também revela um ambiente de insegurança diante desse tipo de prática criminosa.

A maioria dos entrevistados afirmou não se sentir segura para denunciar casos de compra de votos e admitiu desconhecer os canais oficiais para formalização das denúncias.

Outro dado considerado alarmante é a percepção da população sobre a frequência da prática nos municípios brasileiros.

Mesmo entre pessoas que nunca receberam proposta direta:

  • 39% acreditam que a compra de votos acontece “sempre” onde moram;
  • e outros 30% responderam que a prática ocorre “frequentemente” ou “às vezes”.

Os números, de acordo com o jornalista Luzenor de Oliveira, retratam uma dura realidade: os crimes praticados durante o período de campanha, por meio da compra de votos, comprometem a qualidade da representação política, distanciam os eleitores dos seus representantes e deixam comunidades sem a devida atenção do serviço público.