O avanço das apostas on-line no Brasil e os impactos das chamadas bets na saúde mental foram tema do episódio desta semana do podcast do Correio, com a participação do pesquisador André Guerrero, coordenador do Núcleo de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas da Fiocruz Brasília.
Durante entrevista às jornalistas Ana Raquel Lelles e Mariana Niederauer, Guerrero explicou que o crescimento da dependência em jogos levou a Fiocruz e o Ministério da Saúde a ampliarem a capacitação de profissionais do SUS para atender pessoas afetadas pelo vício em apostas.
— “O Ministério da Saúde tem visto a grande incidência de pessoas que procuram as unidades básicas de saúde e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) por consequências relacionadas aos jogos de apostas”, afirmou.
SUS AMPLIA CAPACITAÇÃO
O curso criado pela Fiocruz é:
- gratuito;
- on-line;
- e voltado a profissionais da atenção primária e da rede de atenção psicossocial.
A formação possui 45 horas de duração e oferece inicialmente 20 mil vagas. Segundo a Fiocruz, quase 18 mil inscrições já foram preenchidas.
As inscrições são realizadas pelo site da instituição.
GOVERNO CRIA FERRAMENTA PARA BLOQUEAR CPF
Com a proximidade da Copa do Mundo e a expectativa de crescimento das apostas esportivas, o pesquisador afirmou que governos e órgãos de saúde trabalham para ampliar mecanismos de prevenção.
Uma das ferramentas destacadas é a plataforma de autoexclusão disponível pelo GOV.BR, que permite ao próprio usuário bloquear o CPF para impedir apostas em plataformas regulamentadas.
Segundo Guerrero, o sistema também oferece:
- autodiagnóstico;
- avaliação de sinais de dependência;
- e encaminhamento para apoio psicológico.
— “A pessoa responde perguntas e consegue entender se há sinais de dependência. Caso precise, ela é encaminhada para suporte profissional”, explicou.
ISOLAMENTO E DÍVIDAS SÃO SINAIS DE ALERTA
O pesquisador alertou que os principais sintomas da dependência em apostas incluem:
- isolamento social;
- ansiedade;
- nervosismo;
- insônia;
- hipertensão;
- e endividamento.
— “Muitas vezes a pessoa era sociável e começa a ficar reclusa. Também aparecem sintomas físicos e dificuldades financeiras”, destacou.
Segundo ele, o avanço das bets já é tratado como um desafio crescente para a saúde pública brasileira.
