As gerações mais novas — Z e Alfa — vêm sendo vistas como gerações “mais sensíveis” se comparadas com gerações anteriores, como os nascidos na Geração X ou Boomers. São até às vezes conhecidos como “mimizentos” ou outros apelidos pejorativos. A psicologia vem tentando entender por que, exatamente, os mais novos parecem mais conscientes emocionalmente do que gerações anteriores.
Para a psicologia, o entendimento é que os mais jovens têm crescido com mais ferramentas à sua disposição para lidar com os sentimentos do que os pais e avós, numa cultura que leva mais a sério doenças mentais, sentimentos e, principalmente, terapias.
Para a psiquiatra Nissa Keyashian, em entrevista à revista Parents, as gerações mais velhas, por terem sido criadas por pessoas que passaram pelas grandes guerras e por momentos de crise econômica severa, “podem ter mais dificuldade em identificar, expressar e discutir emoções e/ou saúde mental”, principalmente os “baby boomers”.
“Muitos da Geração X também provavelmente não receberam muito apoio emocional nem foram ensinados a identificar, expressar, processar e discutir emoções”, diz Keyashian.
Os millennials, geração anterior aos Z, são mais divididos: alguns conseguem lidar melhor, enquanto outros ainda são mais parecidos com as gerações anteriores, por conta de mudanças na forma de educação parental.
Com o tempo, mais livros foram sendo escritos sobre maneiras mais saudáveis de educar uma criança. Além disso, mudanças no mundo tornaram a criação de um filho algo mais ativo do que passivo: “O aumento da incerteza econômica, a competitividade no processo de admissão às universidades e a atenção da mídia para a segurança infantil — desde crimes até a internet — impulsionaram um estilo de criação de filhos mais participativo e vigilante, às vezes chamado de “parentalidade intensiva”, diz Zishan Khan Khan, psiquiatra de crianças e adolescentes
“O resultado é uma cultura parental que, para muitas famílias, prioriza a compreensão do mundo interior das crianças, e não apenas o controle do comportamento exterior”, afirma.
Isso acabou por gerar diferentes formas de criação, como a “educação gentil”, ou “educação autoritária”. No caso da segunda, os sentimentos da criança são validados, mas limites ainda são impostos.
“Eles usam a corregulação — mantendo a calma e a presença durante as crises — para que as crianças aprendam, em seus corpos, que emoções intensas podem ser superadas e acalmadas”, diz Khan: “Quando os pais combinam empatia com estrutura, as crianças tendem a desenvolver um vocabulário emocional mais rico, melhor autorregulação e um apego mais seguro”, conclui.
O papel das escolas também tem sido muito importante: a valorização de psicólogas e psicopedagogas no ambiente escolar tem ensinado crianças a lidar melhor com seus sentimentos, principalmente estando longe dos pais.
Os riscos de ser emocionalmente consciente
As vantagens de ser uma pessoa mais consciente emocionalmente são diversas: os mais jovens conseguem lidar melhor com o estresse, com suas relações de amizade e lidar com as tantas mudanças corporais e da vida que acontecem até a fase adulta.
No entanto, existem riscos: “Os jovens correm o risco de organizar sua identidade em torno da linguagem diagnóstica” afirma William Cheung Tsang, neuropsicólogo da Universidade de Hackensack.: “Por exemplo, se alguém frequentemente se descreve como uma pessoa ansiosa, isso pode moldar uma narrativa e uma identidade que se tornam resistentes ao tratamento”.
Ele cita, principalmente, os perigos dos diagnósticos “pop” nas redes sociais, os quais os jovens são constantemente expostos: “Como profissionais da saúde, pais e educadores, nosso objetivo é ajudar as crianças a usar a consciência emocional como uma ferramenta, e não como uma definição de seu valor ou de toda a sua identidade”, diz.
“Crescimento muitas vezes significa que a relação da pessoa com seus sentimentos muda ao longo do tempo, e isso é algo que deve nos despertar curiosidade, não medo”, afirma Khan.
