Atlas da Violência coloca quatro cidades cearenses entre as cinco mais violentas do país

Foto: Reprodução/ Agência Brasil

Maranguape foi a cidade brasileira com mais homicídios proporcionalmente entre os municípios com mais de 100 mil habitantes em 2024. O dado faz parte do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O levantamento ainda coloca outras três cidades cearenses entre as cinco mais violentas do país: Maracanaú, Itapipoca e Caucaia. O cenário reforça a concentração dos maiores índices de violência letal no Ceará ao longo do ano passado.

Maranguape registrou taxa de 87,2 homicídios para cada 100 mil habitantes, liderando o ranking nacional. Logo depois aparecem Jequié, na Bahia, e os municípios cearenses de Maracanaú, Itapipoca e Caucaia.

O estudo analisou 336 cidades brasileiras com população acima de 100 mil habitantes. No caso de Maranguape, foram contabilizados homicídios registrados oficialmente e também mortes classificadas como “homicídios ocultos”, categoria usada pelos pesquisadores para estimar crimes violentos sem causa definida.

A metodologia considera ocorrências registradas inicialmente como mortes violentas indeterminadas, mas que apresentam indícios de homicídio. A estimativa é feita com auxílio de modelos estatísticos e ferramentas de aprendizado de máquina.

No cenário estadual, o Ceará aparece com a quinta maior taxa de homicídios do país em 2024, atrás apenas de Amapá, Bahia, Pernambuco e Alagoas. O estado registrou índice de 34,3 mortes por 100 mil habitantes, acima da média nacional.

O Atlas também aponta crescimento de 5,2% nos homicídios no Ceará em comparação com o ano anterior.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) destacou que os dados do estudo são referentes a 2024 e afirmou que, em 2026, os municípios citados já apresentam redução nos índices de Crimes Violentos Letais e Intencionais.

Confira a nota da Secrataria de Segurança Pública:

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) frisa que são referentes ao ano de 2024 os dados divulgados no Atlas da Violência, publicação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). É importante destacar que com os investimentos realizados pelo Governo do Ceará e a intensificação das ações policiais, em 2026, os municípios cearenses mencionados no estudo apresentaram diminuição nos índices de mortes por crimes violentos, de crimes contra o patrimônio, além de apresentar aumento nas apreensões de armas de fogo e prisões.

Considerando esses municípios, em Maranguape, a diminuição dos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs), no primeiro quadrimestre de 2026 foi de 95,8%, com um (01) CVLI registrado, em comparação com os 24 CVLIs ocorridos entre janeiro e abril do ano passado. Em Maracanaú, a redução de janeiro a abril de 2026 foi de 90,4%, com cinco mortes violentas, contra 52 no mesmo período do ano anterior. Em Caucaia, a redução no mesmo período foi de 39,1%, com 42 mortes por crimes violentos registradas, frente a 69 casos no mesmo período de 2025. Já em Itapipoca, no Interior Norte, a redução nos primeiros quatro meses de 2026 foi de 16,7%, com dez CVLIs registrados, contra 12 casos no mesmo período de 2025.

Considerando os CVLIs do quadrimestre em todo o Ceará deste ano, foram 346 crimes a menos, em comparação com o primeiro quadrimestre de 2025. Nos quatro primeiros meses de 2026, aconteceram 585 mortes violentas, contra 931 ocorrências no mesmo período do ano passado, uma redução de 37,2%. O resultado positivo se estende também à Capital, Região Metropolitana e Interior. Em Fortaleza, a redução ficou em 60,8%, com 104 registros nos quatro primeiros meses deste ano, contra 265 no mesmo período do ano passado. Na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a redução dos casos ficou em 60,6%, com 99 ocorrências de janeiro a abril deste ano, contra 251 casos nos quatro primeiros meses de 2025. Com 33 casos a menos, o Interior registrou uma retração de 8% no mesmo período, contabilizando 382 casos, quando comparado com o quadrimestre do ano passado, que ocorreram 415 casos. Os dados estão disponíveis no Painel Dinâmico da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), em https://www.supesp.ce.gov.br/painel_dinamico/.

Apreensão de armas

O trabalho diário dos agentes de Segurança Pública do Ceará, durante todo o ano de 2025, resultou na apreensão de 811 armas de fogo nos quatro municípios mencionados. Em Caucaia, foram 346. Em Maracanaú, 245 armas foram retiradas de circulação. Já em Maranguape e Itapipoca, foram 133 e 86, respectivamente. Já no que concerne ao primeiro quadrimestre deste ano, as Forças de Segurança já retiraram de circulação 155 armas de fogo durante ações nos municípios de Caucaia, Maranguape, Maracanaú e Itapipoca. As apreensões de armas de fogo impactam diretamente na diminuição dos CVLIs. Em todo o estado do Ceará, em 2025, 7.221 armas de fogo foram apreendidas. Esse foi o melhor resultado de toda a série histórica em quantidade de armas de fogo apreendidas no Ceará. A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), onde ficam localizados os municípios de Maranguape, Maracanaú e Caucaia, foi o território com maior aumento de apreensões, com crescimento de 18,2%, 1.592 armas foram tiradas de circulação.

Prisões

As prisões em flagrante e por cumprimento de mandados de prisão efetuadas pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) e pela Polícia Militar do Ceará (PMCE) por participação em Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) também tiveram aumento no ano de 2025, nesses municípios. Em Caucaia, foram 135 capturas de suspeitos de envolvimento com homicídios contra 100 no mesmo período de 2024, um aumento de 35%. Em Maracanaú, foram realizadas 75 prisões contra 43 durante os 12 meses de 2024, um aumento de 74,4%. Em Maranguape, o aumento foi de 41,7% nas capturas, foram realizadas 51 capturas de suspeitos de participação em CVLIs em 2025, contra 36 em todo o ano de 2024. Já em Itapipoca, houve um aumento de 75% nas prisões, quando 28 pessoas foram capturadas contra 15 em 2024.

Investimentos

Entre as ações do Governo do Ceará para a redução do indicador de CVLIs, que compreende homicídios, latrocínios, feminicídios e lesões corporais seguidas de morte, com foco na Região Metropolitana de Fortaleza, em dezembro do ano passado, foi inaugurado o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da RMF. O equipamento conta com quatro delegacias para investigar os CVLIs nos municípios de Caucaia – onde está sediada a unidade, Maranguape, Maracanaú e Pacatuba. A inauguração do DHPP na RMF foi uma das medidas adotadas pelo Governo do Ceará para combater os crimes na região.

No interior do estado como um todo, a pasta ressalta que 80 municípios do Ceará possuem bases do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) da PMCE. A interiorização do videomonitoramento conta com 6.068 câmeras em funcionamento. Já a Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) da SSPDS/CE conta com cinco bases distribuídas de maneira estratégica em todo o Ceará, elas estão em: Fortaleza, Sobral, Juazeiro do Norte, Crateús e Quixadá.

É importante destacar que esses resultados positivos são fruto da dedicação e do trabalho integrado dos profissionais das Forças de Segurança do Ceará, que atuam unindo ostensividade, investigação e inteligência, além dos investimentos do Governo do Ceará em concursos públicos, aquisição de armas, viaturas e outros equipamentos e iniciativas que fortalecem o trabalho de combate à criminalidade. Uma dessas iniciativas é o Programa de Cumprimento de Mandados de Prisão (Procumpri), desenvolvido pelo Governo do Ceará, por meio da SSPDS. O programa, que funcionou em caráter experimental ao longo de 2025, foi regulamentado no em 29 de dezembro de 2025, por meio de decreto assinado pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas, e pelo secretário da SSPDS, Roberto Sá.

O Procumpri é voltado à realização de ações estratégicas para o cumprimento de diligências em endereços de foragidos da Justiça, com foco na redução dos índices de criminalidade, especialmente dos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLI), além do enfrentamento aos grupos criminosos e à violência contra mulheres e outros grupos vulneráveis. Por meio do programa, entre janeiro e dezembro de 2025, as Forças de Segurança do Ceará realizaram 1.935 capturas de pessoas com mandado de prisão em aberto.

Outras Estratégias

A SSPDS ressalta ainda o Sistema de Metas Integradas de Segurança Pública (Misp), iniciativa do programa Ceará Contra o Crime que consiste em estabelecer metas, conforme os estudos dos indicadores da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), para a redução da criminalidade com base científica em manchas criminais. Além disso, é importante reforçar a reestruturação das Forças de Segurança do Ceará ocorrida em março de 2025.

As mudanças tiveram o objetivo de modernizar as instituições. Para isso, foram criados: quatro comandos operacionais, nove batalhões e 19 companhias para a Polícia Militar do Ceará (PMCE); o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e o Departamento de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio (Depatri), duas Delegacias de Repressão contra o Crime Organizado (Draco) nas regiões Norte e Sul, além de 20 novas seccionais e 30 setores de inteligência para a PCCE; três Coordenadorias de Perícia Regionalizadas, dez células de gestão dos núcleos do Interior, 23 novos núcleos de Perícia e quatro coordenadorias na sede: inteligência, custódia, vestígios forenses e segurança da informação e desenvolvimento institucional para a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). A Supesp e a Academia Estadual de Segurança Pública (Aesp) também foram beneficiadas com a reestruturação.

Por fim, a SSPDS reforça ainda que entre 2023 e 2026, mais de 5 mil novos profissionais foram nomeados, reforçando as ações desenvolvidas também nos municípios do interior.