Quase um mês após sobreviver a uma violenta tentativa de feminicídio em Quixeramobim, no Sertão Central, a jovem Ana Clara Oliveira, de 21 anos, recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira (29) do Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza. A jovem teve as duas mãos decepadas durante o ataque e passou por uma cirurgia complexa de reimplante dos membros.
Ao deixar o hospital, Ana Clara aproveitou para fazer um apelo a outras mulheres que enfrentam situações de violência: ”Qualquer sinal de agressão, saiam e denunciem. Nenhuma mulher merece passar por isso”, afirmou.
A recuperação ainda deve ser longa. Segundo a própria jovem, o processo de reabilitação, que inclui sessões de fisioterapia, pode durar entre seis meses e um ano. Após a alta, ela permanecerá em Fortaleza, onde ficará hospedada com familiares na casa de amigos para dar continuidade ao tratamento.
O caso ganhou repercussão nacional pela gravidade da violência. Ana Clara foi atacada na madrugada de 1º de maio com golpes de foice que causaram amputações e ferimentos profundos em diversas partes do corpo. De acordo com as investigações, o crime teria sido executado pelo ex-cunhado da vítima, supostamente a mando do então companheiro dela, após uma discussão entre o casal.
No IJF, a jovem foi submetida a uma cirurgia de aproximadamente 12 horas para o reimplante das mãos. O procedimento mobilizou uma equipe multidisciplinar formada por cerca de 15 profissionais da saúde.
Estratégia para sobreviver
Durante o ataque, Ana Clara contou que fingiu estar morta para evitar novas agressões. A estratégia permitiu que o agressor deixasse o local, mesmo com ela gravemente ferida e perdendo grande quantidade de sangue.
Após a saída do suspeito, a jovem conseguiu se arrastar até o corredor da residência e pedir ajuda aos vizinhos. Ela lembra que os policiais precisaram arrombar a porta para entrar na casa e prestar os primeiros socorros.
Inicialmente, Ana Clara foi levada ao Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim. Como a unidade não realizava cirurgias de reimplante de membros, foi necessária a transferência para Fortaleza. A previsão era que o transporte fosse feito por helicóptero, mas as condições climáticas impediram o voo, obrigando o deslocamento por ambulância.
Durante a viagem até a Capital, ela permaneceu consciente: ”Eu perguntava o tempo todo se voltaria a ter minhas mãos novamente”.
Voz para outras mulheres
Além de agradecer o apoio recebido desde o crime, Ana Clara destacou que passou a receber mensagens de mulheres que decidiram deixar relacionamentos abusivos após conhecer sua história.
Segundo ela, a intenção agora é usar sua experiência para incentivar outras vítimas a procurarem ajuda e denunciarem situações de violência.
