As famosas canetas emagrecedoras, originalmente desenvolvidas para o tratamento do diabetes tipo 2 e hoje utilizadas no combate à obesidade, começam a despertar crescente interesse da comunidade científica por um possível benefício adicional: a prevenção e o controle do câncer. Estudos apresentados durante reunião da Sociedade Americana de Oncologia Clínica em Chicago, apontam que os agonistas do receptor GLP-1 podem estar associados à redução da incidência de tumores, ao menor risco de progressão da doença e ao aumento da sobrevida entre pacientes oncológicos. Uma das pesquisas discutidas no congresso — e publicada pela revista JCO Oncology Practice — analisou dados de 111.646 mulheres entre 45 e 80 anos e identificou uma associação entre o uso desses medicamentos e menor ocorrência do câncer de mama. As participantes que utilizavam agonistas de GLP-1 apresentaram cerca de 30% menos probabilidades de receber o diagnóstico da doença em comparação com aquelas que não foram tratadas com essa classe de remédios.
De acordo com Solange Sanches, vice-líder do Centro de Referência em Tumores da Mama, a discussão sobre o GLP-1 está intimamente ligada ao papel da obesidade no desenvolvimento do câncer de mama. Isso porque o tecido adiposo não funciona apenas como um depósito de energia. Apesar do entusiasmo, pesquisadores alertam que não está claro se os resultados decorrem exclusivamente da redução do peso corporal ou de ações diretas dos medicamentos sobre vias biológicas relacionadas ao câncer. Para responder a essas questões, a Universidade da Pensilvânia trabalha na criação de um ensaio clínico multicêntrico destinado a avaliar a eficácia dessa estratégia em mulheres com risco elevado para a doença.
