Lei Seca: entenda limites do bafômetro, multas e quando infração vira crime no trânsito

Foto: Andre Borges / Agência Brasília / Perfil Brasil

Apesar de ainda gerar dúvidas entre motoristas, a legislação brasileira não permite consumo de bebida alcoólica antes de dirigir. No contexto das operações da Lei Seca, não existe “tolerância para beber”, mas sim uma margem técnica de erro do bafômetro, prevista para garantir precisão nos resultados.

Segundo as normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o limite de até 0,04 mg/L no etilômetro não representa permissão para ingestão de álcool, mas sim uma faixa de segurança para possíveis variações do equipamento de medição. Ou seja, qualquer consumo pode resultar em autuação, dependendo do resultado aferido.

Infração gravíssima e multa de quase R$ 3 mil

Quando o teste do bafômetro indica resultado entre 0,05 mg/L e 0,33 mg/L, o motorista é enquadrado em infração gravíssima, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). As penalidades incluem multa de R$ 2.934,70, suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por 12 meses e recolhimento do documento.

Em caso de reincidência no período de 12 meses, a penalidade financeira dobra e pode chegar a R$ 5.869,40, além da suspensão do direito de dirigir por até 24 meses.

A recusa em realizar o teste do bafômetro também é tratada pela legislação com as mesmas punições administrativas e financeiras.

Quando a infração vira crime

A situação se torna ainda mais grave quando o resultado do bafômetro é igual ou superior a 0,34 mg/L. Nesse caso, o condutor deixa de responder apenas administrativamente e passa a ser enquadrado criminalmente por dirigir sob efeito de álcool.

As sanções previstas incluem detenção de seis meses a três anos, além das demais penalidades administrativas previstas no CTB.

Margem técnica não é “permissão para beber”

Especialistas reforçam que a chamada margem de até 0,04 mg/L não deve ser interpretada como autorização para consumo de álcool antes de dirigir, mas apenas como um ajuste técnico para evitar falhas de medição dos equipamentos.

Exames laboratoriais de sangue, por sua vez, não possuem essa margem de tolerância, o que pode levar à responsabilização mesmo em casos de pequenas quantidades detectadas.

Risco à vida e impacto social

Dados de instituições de saúde apontam que o consumo de álcool associado à direção segue como uma das principais causas de mortes no trânsito no país, com milhares de vítimas todos os anos. A combinação entre bebida alcoólica e direção continua sendo considerada uma das práticas mais perigosas nas vias brasileiras.

A legislação, por isso, mantém regras rígidas e penalidades severas, com o objetivo de reduzir acidentes e preservar vidas.