O Ceará registra aumento superior a 30% nos casos de dengue até o início de junho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados também apontam crescimento no número de mortes pela doença: são cinco óbitos confirmados em 2026, superando os três registrados durante todo o ano passado.
As informações são da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), que também indica tendência de crescimento nas notificações ao longo das últimas semanas epidemiológicas.
Mais de 2,6 mil casos confirmados no Estado
Até o momento, o Ceará contabiliza 2.696 casos confirmados de dengue. Desse total, 2.265 foram diagnosticados por critério laboratorial e 431 por critério clínico-epidemiológico. Outros 5.951 casos seguem classificados como prováveis.
Apesar do volume de notificações, mais de 11 mil casos já foram descartados, segundo o painel da Sesa.
O Estado também registra 11 casos de dengue grave e 4 mortes suspeitas ainda em investigação.
Crescimento coincide com período chuvoso
O aumento dos casos ocorre no período mais chuvoso do Ceará, que vai de fevereiro a maio, favorecendo a proliferação do mosquito Aedes aegypti em locais com acúmulo de água.
Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a quadra chuvosa de 2026 ficou dentro da média histórica.
Regiões mais afetadas
As regiões Sul e Norte concentram os maiores números de casos no Estado. Veja o cenário:
- Cariri: 1.161 casos confirmados e 2 mortes
- Norte: 793 casos e 1 morte
- Litoral Leste: 385 casos e 0 mortes
- Fortaleza: 329 casos e 2 mortes
- Sertão Central: 28 casos e 0 mortes
Segundo a Sesa, 91,8% dos municípios cearenses já registraram casos prováveis da doença. Ao todo, 14 municípios estão classificados em risco de epidemia.
Municípios em alerta
Entre os municípios com maior incidência estão Cedro, Jardim, Farias Brito, Granjeiro, Hidrolândia, Guaraciaba do Norte e Pereiro, que apresentam transmissão considerada sustentada.
Por outro lado, 10 municípios não registraram casos suspeitos e foram classificados como “silenciosos” no período.
Sorotipos e risco de novos casos
A circulação dos sorotipos DENV-1 e DENV-2 predomina no Ceará em 2026. No entanto, a Sesa alerta para o risco de reintrodução do sorotipo DENV-3, que não circula com força no Estado há cerca de 20 anos, o que pode aumentar a vulnerabilidade da população.
Vacinação segue ativa no Estado
A vacinação contra a dengue com a vacina Qdenga segue disponível no SUS para adolescentes de 10 a 14 anos em todos os municípios cearenses, com esquema de duas doses.
Uma estratégia com imunizante do Instituto Butantan foi temporariamente suspensa, seguindo diretrizes do Ministério da Saúde. Segundo a Secretaria da Saúde, as pessoas já vacinadas permanecem protegidas e seguem sendo acompanhadas pela vigilância em saúde.
