Levantamento expõe cenário de violência constante contra mulheres trans e travestis no Brasil

Mulheres transexuais e travestis convivem frequentemente com situações de violência, preconceito e exclusão no país. É o que revela a 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado, com coleta da Nexus. Mais da metade das entrevistadas relatou experiências compatíveis com agressões nos últimos 12 meses.

O levantamento ouviu 43 mulheres trans e travestis e busca ampliar a produção de informações sobre um grupo ainda pouco contemplado nas estatísticas oficiais. Segundo a pesquisa, 24 participantes, o equivalente a 56%, vivenciaram algum tipo de violência no último ano. Entre os episódios mais citados estão agressões verbais relacionadas à identidade de gênero, mencionadas por 40% das entrevistadas. Outras 17% afirmaram ter sofrido agressões físicas e 12% relataram violência sexual.

Apesar disso, apenas quatro mulheres, correspondentes a 9% da amostra, reconheceram explicitamente terem sido vítimas de violência de gênero. A diferença entre os números foi associada pelos pesquisadores à naturalização das agressões no cotidiano dessas mulheres.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

De acordo com o levantamento, quase metade das entrevistadas, 47%, afirmou já ter sido vítima desse tipo de agressão, enquanto 77% disseram conhecer alguma amiga, familiar ou pessoa próxima que passou pela mesma situação. Entre as mulheres que sofreram violência doméstica, 95% relataram violência psicológica, 80% citaram agressões físicas e morais, 45% sofreram violência sexual e 40% tiveram prejuízos patrimoniais.

Os impactos atingem diferentes áreas da vida: 70% afirmaram que as agressões prejudicaram a convivência social, 55% tiveram a rotina afetada, 45% relataram consequências na vida profissional e 35%, nos estudos.