Explosão no contrabando de canetas emagrecedoras acende alerta; apreensões da PF disparam em 2026

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O contrabando de canetas emagrecedoras à base de medicamentos da classe GLP-1 entrou no radar das autoridades brasileiras. Dados da Polícia Federal revelam uma explosão nas apreensões desse tipo de produto em 2026.

Somente nos cinco primeiros meses deste ano, a PF já registrou 758 apreensões, número que representa mais que o dobro de todo o volume contabilizado em 2025, quando foram registradas 335 ocorrências. Em 2024, haviam sido apenas nove casos.

Na comparação entre períodos equivalentes, o crescimento é ainda mais expressivo. Entre janeiro e meados de junho de 2025 foram registradas 37 apreensões, enquanto, no mesmo intervalo de 2026, o número saltou para 758, um aumento de aproximadamente 20 vezes. Até 2023, não havia registros desse tipo de apreensão nos sistemas consultados pela Polícia Federal.

O avanço do mercado ilegal também aparece nos dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As notificações de efeitos adversos relacionados a esses medicamentos passaram de 257 em 2023 para 449 em 2024, chegando a 1.122 registros em 2025, praticamente o dobro do ano anterior.

As investigações apontam que a principal rota de entrada dos produtos ilegais passa pelo Paraguai, utilizando as fronteiras do Paraná e do Mato Grosso do Sul antes de seguir para grandes centros consumidores, como São Paulo e Rio de Janeiro.

O Paraná concentra 37% das ocorrências e mais da metade de todo o volume apreendido. Somado ao Mato Grosso do Sul, o corredor da fronteira responde por quase metade dos casos e por cerca de 60% das unidades retidas, seguindo a mesma logística utilizada pelo contrabando e pelo tráfico de drogas na região da Tríplice Fronteira, em Foz do Iguaçu.

Além do transporte rodoviário, os criminosos utilizam transporte aéreo para cargas menores, remessas postais internacionais e estratégias para driblar a fiscalização, como o fracionamento das mercadorias, ocultação em veículos e o uso de “formiguinhas”, quando diversas pessoas transportam pequenas quantidades em diferentes viagens.

Em abril, a Polícia Federal e a Anvisa realizaram uma operação nacional para combater a importação irregular, a produção clandestina, a falsificação e o comércio ilegal das chamadas canetas emagrecedoras. A ação cumpriu 45 mandados de busca e promoveu fiscalizações em 12 estados.

Entre 2024 e meados de 2026, as apreensões já somam aproximadamente 175 mil unidades, entre canetas, ampolas, frascos e outros recipientes. Em março, levantamento mostrou que o valor estimado das apreensões alcançava R$ 51 milhões.

Mesmo com a Anvisa já tendo publicado, somente neste ano, segundo reportagem do Jornal O Globo, dez medidas proibindo a importação de produtos irregulares contendo medicamentos da classe GLP-1, o alto custo dos produtos no mercado brasileiro continua estimulando a procura por alternativas ilegais, especialmente por meio de compras realizadas no Paraguai.