Policial militar acusado de matar mulher em posto de gasolina é solto em audiência de custódia no interior do Ceará

O policial militar Caio Filizola de Paiva, de 36 anos, foi liberado após audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (6), um dia depois de ser preso acusado de matar Luena Rocha Melo, de 33 anos, com um tiro no pescoço em um posto de combustível no município de Cariré, no interior do Ceará.

O crime ocorreu na madrugada de domingo (5), por volta das 4h, quando o policial, que estava de folga e à paisana, teria se envolvido em uma discussão com a vítima. Segundo testemunhas, ele consumia bebida alcoólica no local quando ocorreu o desentendimento. O disparo atingiu a mulher no pescoço, e ela morreu ainda no estabelecimento.

Após o crime, o policial foi preso em flagrante e encaminhado à delegacia de Sobral. No depoimento, ele afirmou fazer uso contínuo de medicamentos, além de relatar ser dependente de álcool e sofrer de ansiedade.

Apesar da gravidade do caso, a decisão judicial destacou que o acusado é “tecnicamente primário” e que não foram apresentados elementos suficientes que justificassem a manutenção da prisão preventiva. O juiz responsável ressaltou que a gravidade do crime, por si só, não é motivo automático para manter a custódia.

Com isso, o policial foi colocado em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre elas estão: manutenção de endereço atualizado, proibição de deixar a comarca por mais de oito dias, comparecimento obrigatório aos atos do processo, uso de tornozeleira eletrônica por 240 dias, recolhimento domiciliar noturno das 20h às 5h e proibição de frequentar bares, festas, casas noturnas e eventos similares.

A vítima, segundo familiares, era mãe de dois filhos e já teria tido desavenças anteriores com o policial, incluindo relatos de agressões em ocasiões passadas.

A Polícia Militar do Estado do Ceará informou que o agente estava de licença para tratamento de saúde e que não compactua com desvios de conduta. A corporação também confirmou o afastamento do policial e a abertura de procedimento administrativo pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário do Ceará (CGD), que vai apurar as circunstâncias do caso.

O crime segue sob investigação, e o processo criminal contra o policial militar deve avançar nos próximos dias.